Turismo alavanca iniciativas sustentáveis na RDS Rio Negro

10 de outubro de 2012 - Comunitários se preparam para aquecer mercado turístico com muita hospitalidade e culinária regional

 
Profissional deverá apoiar atividades de turismo de base comunitária (Foto: Ana Jatahy)

Instituições de várias partes do Brasil se reuniram, em Manaus, para discutir o turismo sustentável no Amazonas, em setembro de 2012. No II Workshop de Turismo de Base Comunitária, a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) se juntou a outras instituições para apresentar avanços e desafios nos projetos turísticos implementados em base comunitária. O evento foi uma iniciativa da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa no Amazonas (Fapeam) e várias outras instituições que atuam na área de turismo no Estado.

Na mesa, foram colocadas iniciativas de instituições governamentais e não governamentais apresentadas pelos próprios beneficiários das ações. Do Pará, o Projeto SaUde e Alegria apresentou os êxitos da promoção de sustentabilidade na comunidade da Anã da Reserva Extrativista Tapajós-ArapiUns, em Santarém, que tem se tornado uma referência em turismo comunitário no meio da Floresta Amazônica. “Estamos nos adaptando à realidade turística sem perder as raízes”, comenta Maria Reginalda, coordenadora comunitária da localidade.

Do Amazonas, importantes lideranças das comunidades do baixo Rio Negro apresentaram um panorama atual das iniciativas turísticas em suas regiões. Representando a comunidade Bela Vista do Jaraqui, do Parque Estadual de Anavilhanas, o Sr. Francisco de Souza (Peba), coordenador do Fórum Permanente de Defesa das Comunidades Ribeirinhas de Manaus (FOPEC), destacou os desafios decorrentes da sobreposição de áreas e da necessidade urgente de redefinição de categorias e estabelecimento de diretrizes para uso pUblico das unidades de conservação.

O presidente da Associação de Comunidades Sustentáveis da Reserva do Rio Negro (ACSRN), José Roberto Nascimento apresentou as experiências desenvolvidas na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro e a importância da parceria com a FAS, por meio de incentivos para a geração de renda com baixo impacto ao meio ambiente. Gradualmente, o turismo vem sendo apontado como relevante saída. “Com essas ações, saímos da extração ilegal de madeira e muita coisa tem melhorado”, comenta José Roberto.

Turismo na RDS do Rio Negro

Os comunitários estão construindo uma estrutura de atendimento ao turismo. Na comunidade do Tumbira, um NUcleo de Conservação e Sustentabilidade (NCS) incrementa os atrativos para os visitantes da região, dispondo de casa de artesanato, pousada e abastecimento de energia elétrica 24h, por meio da conversão da energia solar. Alguns minutos descendo o rio, na comunidade do Saracá, um restaurante comunitário oferece gastronomia de qualidade e já recebe um interessante fluxo inicial de turistas e visitantes.

Para José, o apoio da FAS se juntou a vontade de mudança por parte dos comunitários. “Quando fomos informados da oportunidade do (Programa) Bolsa Floresta, criamos expectativas em acabar com o desmate, porque as coisas eram difíceis. Eu, por exemplo, cheguei a liderar quase 20 pessoas derrubando árvores na floresta, sabendo que era ilegal. Foi quando participamos das oficinas e decidimos trilhar um novo caminho”, comenta.

Na comunidade de Tiririca, uma pousada está em fase de construção com apoio da comunidade e contando com o orçamento participativo, um dos mecanismos que a FAS utiliza para que os comunitários decidam como querem investir os recursos do programa.

Decisão dos comunitários

O superintendente técnico-científico da FAS, João Tezza, comenta que o Programa Bolsa Floresta (PBF) vem atuando para que os próprios comunitários sejam a força-motriz da melhoria de qualidade de vida. “O Bolsa Floresta foi criado com a ideia de valorizarmos o ribeirinho e a avidez dele pelo crescimento”, destaca.

Para dar êxito a essa proposta, o Bolsa Floresta atua com quatro componentes fundamentais. Além do PBF Familiar, que beneficia os comunitários com R$ 50 mensais, foram implementados os PBF Renda, Social e Associação. Eles juntos investem anualmente mais de R$ 1.413 em cada família participante do programa, que conta com mais de 35 mil beneficiados em todo o Estado.

“O desafio se mostrou grande, mas com o trabalho comunitário, vem dando muito certo. São exemplos que certamente podem ser aplicados em outras localidades do Amazonas”, finaliza João.

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