Amazonas incentiva arquearia indígena visando Olimpíada de 2016

5 de março de 2013 - Projeto Arquearia Indígena na Rio 2016 pretende alavancar tiro com arco em comunidades ribeirinhas e aldeias do Amazonas

 
Drean Braga da Silva foi um dos destaques em seletiva no Rio Negro | Foto: Felipe Lobo/FAS

Levar o nome do Brasil o mais longe possível na Olimpíada de 2016: o objetivo do país mobilizou a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), a Federação Amazonense de Tiro com Arco (FATARCO), em parceria com a Confederação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (COIPAM), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), e a Secretaria de Estado da Juventude, Desporto e Lazer do Amazonas (SEJEL), para uma iniciativa inédita.

O Projeto Arquearia Indígena na Rio 2016 será lançado na próxima quarta-feira, às 8h da manhã, na sede da FAS, por ocasião da inauguração da Escola de Arquearia Floresta Flecha, já filiada na Confederação Brasileira de Tiro com Arco (CBTARCO).

Além de valorizar a cultura brasileira por meio do índio da Amazônia, o projeto visa contribuir para o fortalecimento da equipe olímpica Brasileira de Arco e Flecha e popularizar a arquearia no país.

A expectativa é unir empresas privadas comprometidas com o esporte olímpico, governos e organizações da sociedade civil, com foco naquelas que patrocinam modalidades esportivas, atletas e a própria olimpíada Rio 2016. Essa união de esforços deve agregar os profissionais do mais alto nível na área do esporte e as organizações desportivas, comenta a secretária de esportes do Amazonas, Alessandra Campêlo.

Seletiva no Rio Negro

A primeira Seletiva Indígena de Arco e Flecha da Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro, sob gerência geral de Márcia Lot e apoio do indígena Fidelis Baniwa (coordenador da COIPAM) aconteceu no último sábado (02/03), na comunidade Três Unidos. A iniciativa reuniu 17 jovens, de ambos os sexos, na faixa-etária de 14 a 20 anos, que trouxeram arcos e flechas produzidos totalmente na reserva.

Drean, Deivide e Félix foram os destaques da competição. Eles acertaram no alvo, a uma distância de 30 metros. O arco de Drean, feito de um pequeno pedaço de paxiúba, uma árvore típica da região, chamou atenção: totalmente produzido com matéria prima das margens do Rio Cuieiras, afluente da margem esquerda do Rio Negro.

Drean conta que também montou sua flecha na própria comunidade: usou talas de buriti, uma ponta de muirapiranga e uma peninha. “A pena serve para estabilidade, para não variar”, atenta o jovem indígena.

Assim como no Rio Cuieiras, a seleção acontecerá em oito regiões do Estado do Amazonas que possuem aldeias e comunidades indígenas. Os melhores arqueiros receberão alojamento, alimentação, bem como treinamento intensivo, na Vila Olímpica de Manaus, sob os cuidados da SEJEL, com o mesmo técnico da Seleção Amazonense de Tiro com Arco, Roberval dos Santos.

Modalidade olímpica

O Tiro com arco é modalidade esportiva que faz parte do quadro olímpico desde 1900. Em comparação com outras modalidades, o Brasil não tem uma longa história na arquearia. Embora seja um país que cultive raízes indígenas, o esporte só foi difundido como competição na década de 50.

Mesmo assim, o país conta com medalhas internacionais importantes como a conquista do bronze, no Pan-Americano de 1972. Em 1983, o país subiu mais três vezes ao terceiro lugar do pódio. Nos jogos Olímpicos, a equipe de Arco e Flecha brasileira, estreou em 1980, mas não obteve nenhuma posição de destaque. Em Londres, em 2012, contou apenas com um representante.

Hoje no Brasil são 11 federações estaduais ligadas à Confederação Brasileira de Tiro com Arco (CBTARCO). No último Campeonato Brasileiro de Arco e Flecha, em Recife-PE, o Amazonas já subiu ao podium com Larissa Feitosa, Aníbal Forte, Francisco das ChagasCarlos Galindo e Roberval dos Santos.

“Nenhuma outra modalidade se relaciona de forma tão clara e óbvia com a história do Brasil. As populações indígenas habitavam todo o território nacional à época da chegada dos europeus. Foram dizimadas por guerras, escravidão e doenças. Temos uma dívida histórica a ser resgatada”, explica o superintendente geral da FAS, Professor Virgílio Viana.

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