FAS promove ação para minimizar efeitos da cheia na RDS Rio Madeira

15 de maio de 2014 - Vazante traz risco de doenças para os ribeirinhos

 
Escolas e postos de saúde foram inundados por grande cheia no Rio Madeira | Foto: Felipe Costa/FAS

Por Felipe Irnaldo

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A FAS estará recebendo doações de roupas, agasalhos e brinquedos para serem distribuídos às famílias que perderam tudo na cheia recorde do Rio Madeira. A Fundação atende das 8h às 18h, na Rua Álvaro Braga, 351, Parque 10 de Novembro. Informações podem ser obtidas no (92) 4009-8900.


A Fundação Amazonas Sustentável (FAS) promoverá entre os dias 25 e 29 de maio uma grande ação de mobilização nas Unidades de Conservação (UCs) localizadas às margens do Rio Madeira, visando minimizar os impactos da cheia histórica de 2014. Serão distribuídos filtros para água e medicamentos, em uma atividade que beneficiará 600 famílias.

Na primeira semana de maio, uma equipe liderada pelo superintendente técnico científico da FAS, Eduardo Taveira, visitou comunidades ribeirinhas atingidas pela cheia nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDSs) Rio Madeira, Amapá e Juma. “O impacto dessa cheia na saUde e educação é muito grande, além de todo o prejuízo na produção de toda essa região, que precisará de ajuda”, comenta.

As comunidades enfrentam grande dificuldade para acessar os serviços básicos de saUde. Além das inundações nos postos de atendimento, agentes comunitários que foram desabrigados pela enchente migraram para as sedes dos municípios de Novo Aripuanã e Manicoré. A Unica forma de garantir auxílio é navegar de ambulancha até os hospitais municipais mais próximos, explica LUcio Reis Gonçalves Cabral, 44, morador da comunidade Santa Rosa.

“O nosso agente de saUde morava conosco, mas perdeu a casa em poucos dias e teve que levar toda a família para Novo Aripuanã. Agora, para conseguir algum medicamento, precisamos de duas a três horas rio abaixo”, explica LUcio.

Além da ausência dos agentes de saUde e postos locais, a situação deve se agravar com a descida do rio. Esse é o período em que doenças trazidas pela água não tratada ganham força, explica a enfermeira e coordenadora do Projeto Primeira Infância Ribeirinha (PIR), Rhamilly Amud.

“Há uma incidência muito grande de diarreia, vômito e febre nessas áreas pós-alagação. Isso está muito ligado às condições de saneamento dessas comunidades, que conviverão com essa água contaminada. Também há um risco muito grande relacionado aos pernilongos transmissores de dengue e malária, cuja área para reprodução desses insetos aumenta muito”, explica a enfermeira.

Para minimizar esse impacto, a FAS deve distribuir cerca de 600 filtros de água e solução de hipoclorito para facilitar a purificação. A Fundação também planeja levar medicamentos e promover oficinas voltadas a primeira infância, por meio do PIR. “A ideia é reduzir ao máximo os riscos provenientes dessa enchente, em um período que merece muita atenção por parte dos comunitários”, finaliza Rhamilly.

Os ribeirinhos também sentem o forte impacto da cheia de 2014 na produção. Dezenas de hectares de plantações de banana, mandioca, melancia e cacau foram completamente arrasadas pela cheia. “As águas encheram muito rapidamente, ainda não havia chegado o tempo de colheita da banana. A macaxeira e o cacau foram todos para o fundo”, explica LUcio.

LUcio mostra prejuízo da produção de bananas na safra 2014 | Foto: Felipe Costa/FAS

LUcio mostra prejuízo da produção de bananas na safra 2014 | Foto: Felipe Costa/FAS

A FAS também entregará aos comunitários sementes de cultura de curto prazo (melancia, abóbora, jerimum, maxixe, etc.), para agilizar a recuperação das cadeias produtiva afetadas.

Na educação, os impactos também foram negativos. Várias escolas, até a primeira semana de maio, estavam debaixo d??água. Além disso, muitos professores desabrigados foram para a cidade.

 

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