Google e Fundação Amazonas Sustentável apresentam novas imagens do Amazon Street View

2 de março de 2015 - Áreas isoladas e antes inacessíveis da Amazônia foram registradas pelo equipamento do Google, o Street View Trekker. Cerca de seis mil famílias vivem na região

 

Após três anos do lançamento do Amazon Street View, o Google, em parceria com a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), acaba de lançar a segunda fase do projeto. Por meio de fotos 360°, usuários da web de todo o mundo agora terão a oportunidade de explorar digitalmente regiões como as Reservas do Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Juma e Madeira, no Amazonas, localizadas a 228 km da capital Manaus, além dos diversos tipos de vegetação que formam a floresta Amazônica. Nessas regiões vivem aproximadamente seis mil famílias que participam do Programa Bolsa Floresta, da FAS, considerado um dos maiores programas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) do mundo em extensão. Confira as imagens, já disponíveis na internet.

“As RDSs Madeira e do Juma são regiões extremamente importantes na Amazônia. Nelas, realizamos projetos de geração de renda e de educação adaptada à realidade local. Juntas, essas áreas somam quase 900 mil hectares de floresta em pé. Com o Amazon Street View o mundo poderá ver essa realidade e saber que pessoas vivem em uma região com tantos desafios e realidades totalmente diferentes. O resto do Brasil e do mundo precisam saber disso e valorizar a floresta e quem vive nela”, afirma Virgílio Viana, superintendente-geral da FAS.

Diferente da primeira fase, em que as imagens foram coletadas pelo Trike (o triciclo do Street View), nesta, a equipe da FAS usou nos registros o Trekker, evolução tecnológica do Google emprestada à organização por meio do programa Trekker Loan. Como resultado, em 18 dias de expedição foram visitadas 18 comunidades interligadas por longas trilhas e, pela primeira vez, o Trekker foi pendurado em uma tirolesa, proporcionando imagens das copas de árvores. Mais de 500 km de rios, lagos e córregos, 20 km de trilhas em meio à mata, duas escaladas de árvores, fazem parte das imagens.

“O Google Maps completa dez anos em 2015. Neste período tivemos muitos avanços tecnológicos, como o Street View e seus equipamentos. Cada avanço na tecnologia proporciona novas experiências aos usuários da web. Entre elas, a exploração a regiões que, provavelmente, a maioria das pessoas não poderá conhecer pessoalmente. Juntos, Google e FAS proporcionam conhecimento relevante para a conscientização da sociedade sobre a importância da Amazônia”, diz Karin Tuxen-Bettman, gerente do Google Earth Outreach.

Segundo o líder do projeto em campo, Gabriel Ribenboim, o avanço da tecnologia do Google facilitou as inovações da fase no Juma e Madeira. “Com a nova tecnologia, que permite maior mobilidade e autonomia, pudemos entrar mais profundamente em trilhas e igarapés nunca antes imageados, como a trilha de 11 km em floresta densa que conecta as comunidades do Rio Auruá com as do Rio Mariepaua. Em experiência inédita no mundo, com essa nova tecnologia da Google, conseguimos adaptar o equipamento em uma tirolesa fixada em uma das maiores castanheiras da região – com altura entorno de 60 metros -, remontando uma descida da copa das árvores até o solo – documentando todos os estratos florestais”, destaca.

As ações em campo contaram ainda com apoio de moradores das comunidades na Amazônia, que ajudaram a capturar as imagens sem impacto à natureza. “Um dos maiores desafios foi na exploração para encontrar um lugar adequado para a experiência com a tirolesa. As condições que colocamos e não abrimos mão foi de não gerar nenhum impacto sobre a floresta, sua biodiversidade e seus habitantes, e não colocar em risco a operação. Buscamos árvores altas, que fossem seguras para operação de escalada, e que na descida da câmera nos cabos de aço, não prejudicasse a floresta. Em 20 dias em campo, em ambiente natural hostil, com alta umidade e momentos de muita chuva, o equipamento se mostrou muito resistente e voltou ileso. Tivemos total apoio da comunidade local e a troca de experiências foi muito rica – o que representa a interatividade que este projeto se propõe, ao colocar estas comunidades isoladas no mapa”, ressalta Ribenboim.

A captação das imagens foi autorizada pelo Centro Estadual de Unidades de Conservação (CEUC), vinculado à Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (SDS) parceiro do projeto e responsável pela gestão das reservas.

O equipamento e a região

O Trekker é um equipamento que reUne um sistema fotográfico de 15 lentes em um conjunto portátil, que pesa 18 kg e mede 120 cm. Ele dispara fotos automaticamente, aproximadamente a cada 2,5 segundos, conforme o operador caminha por trilhas – inclusive aquelas mais íngremes ou estreitas. A captação das imagens contou com o apoio de comunitários que aprovaram sua participaram individualmente após um processo de consulta realizado junto às comunidades locais. Entre eles, “Tokinho”, o guia local que nasceu na região da RDS do Juma e atualmente cria peixes em uma estação experimental do componente Renda do Programa Bolsa Floresta.

Este componente auxilia as comunidades ribeirinhas a encontrar benefícios econômicos a partir do manejo sustentável da floresta. Na RDS Madeira os principais projetos estão vinculados ao potencial de produção de cacau. Ao longo dos anos, foram instalados secadores de cacau em várias comunidades da reserva. Em 2014, essa reserva passou por uma enchente histórica no Rio Madeira, atingindo 19,74 metros. Além de inundar centenas de casas, a cheia devastou grandes áreas produtivas de dezenas de famílias. A FAS realizou ações para minimizar o impacto na qualidade de vida dos ribeirinhos e à recuperação das áreas devastadas. Foram distribuídos cerca de 550 filtros de água, 268 vacinas, 296 kits educativos de primeira infância, além de sementes de melancia, abóbora, jerimum e maxixe para cerca de mil famílias.

Já na RDS do Juma, os investimentos da FAS focam a educação adaptação à realidade local. São dois NUcleos de Conservação e Sustentabilidade (NCSs), espaços construídos para promoção e incentivo de ações de educação, saUde, apoio ao empreendedorismo, além de servir de base para a pesquisa e inovação nas reservas. Os NCSs contam com salas de aula, biblioteca, alojamento para alunos e professores, refeitório e ambulatório, todos abertos a comunidade.

“Agora, quem visitar o Amazon Street View poderá ver o trabalho que desenvolvemos para recuperar regiões degradas pela enchente e como uma educação de qualidade acontece em regiões tão distantes”, finaliza Virgílio Viana.

Sobre a FAS:

A Fundação Amazonas Sustentável (FAS) é uma organização brasileira não governamental, sem fins lucrativos, de utilidade pUblica estadual e federal. Foi criada em 20 de dezembro de 2007, por meio de uma parceria entre o Governo do Estado do Amazonas e o Banco Bradesco e, posteriormente, passou a contar com o apoio da Coca-Cola Brasil (2009), do Fundo Amazônia/BNDES (2010), da Samsung (2010), além de outras parcerias em programas e projetos desenvolvidos. Os dois principais programas implementadas são o Programa Bolsa Floresta e o Programa de Educação e SaUde. Saiba mais: www.fas-amazonas.org.

Sobre o Google:

O Google é uma empresa global líder em tecnologia que se dedica a melhorar as formas como as pessoas entram em contato com a informação. As inovações do Google na pesquisa e na publicidade on-line fizeram da sua página um dos principais produtos da internet e, da sua marca, uma das mais reconhecidas do mundo.