Aos 13 anos, jovem aprende com líderes a ser um protagonista na RDS Piagaçu Purus

22 de junho de 2015 - Mais jovem participante do Encontro de Lideranças do Bolsa Floresta, Everton Soares deseja crescer no lugar onde vive

 
Everton participou do XIV Encontro de Lideranças (Foto: Bruno Kelly)

Mais de 22 horas de viagem a bordo de um barco regional não desanimaram o jovem Everton Soares da Silva, de 13 anos, a participar do XIV Encontro de Lideranças do Bolsa Floresta, realizado em Manaus na Ultima semana. Nascido e criado na comunidade Santa Rita, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu-Purus, o pequeno foi um dos participantes mais jovens da história do evento, que é realizado pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS) semestralmente desde 2009, com apoio do Fundo Amazônia/BNDES, Coca-Cola Brasil, Bradesco e Governo do Estado do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

A oportunidade surgiu por um convite dos líderes da reserva, já que a mãe do menino representa a RDS como conselheira da Associação de Moradores da RDS Piagaçu-Purus (AMEPP). Estudante do 8º ano da rede pUblica municipal de Beruri, Everton destaca o quanto aprendeu nos dias em que esteve em Manaus.

“O encontro está sendo muito legal. Essa semana aprendi bastante coisa, por exemplo, que não devemos desmatar a floresta, e que é possível pescar sem que o peixe acabe. Também precisamos cuidar das coisas que conseguimos de um tempo pra cá, como a ambulancha, o motor de água. E a roçadeira nem se fala, que ajuda a gente a manter o campo de jogar bola limpo”, brinca.

A roçadeira que Everton comenta foi entregue pelo componente Social do Programa Bolsa Floresta (PBF) para a comunidade. Quando Everton nasceu, antes do Programa, a realidade era bem diferente. A água precisava ser carregada nas costas, sem sistema de distribuição. E em caso de emergência médica, o atendimento precisava ser feito na própria comunidade, com poucos cuidados. “Antes as coisas eram bem difíceis por lá. Não tínhamos um motor de água, e sempre tínhamos que carregar água para beber nas costas. Louças e o banho mesmo eram no trapiche, no rio e bem cedo”, conta Kely Regina Dantas Soares, dona de casa e mãe de Everton.

Nos dias de hoje, o menino lembra que mortes por acidentes na reserva ficaram na história. Os que acontecem de um tempo para cá têm um final mais feliz, graças às ambulanchas. “Outro dia um senhor foi picado na perna por uma cobra. Chegou em poucas horas na cidade e hoje está andando bem direito”, relata.

Como todo menino aos 13 anos, Everto também tem sonhos. O maior deles, jogar futebol. Esse aliás, talvez seja o Unico motivo que possa tirá-lo hoje do lugar onde vive. “Manaus é muito grande, mas quente e com muito barulho. Hoje não tem nem como deixar minha família e minha comunidade para me mudar para cá, gosto da minha escola e do campo de futebol com meus colegas. A menos que alguém do Barcelona me chame…”, declara. Caso não consiga ser jogador de futebol profissional, ele já sabe a segunda opção: “quero ser líder comunitário e ajudar a RDS Piagaçu-Purus”, diz.

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