Encíclica do Papa Francisco sobre meio ambiente é apresentada em aldeia indígena no Amazonas

17 de agosto de 2015 - Representante do Vaticano participou de missa em aldeia Kambeba

 
Mais de 100 pessoas de diferentes comunidades do Rio Negro participaram do evento | Foto: Marina Souza
A aldeia Kambeba localizada na comunidade Três Unidos, Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro, recebeu neste domingo (16) uma missa com apresentação da Encíclica do Papa Francisco ‘Laudato Si’, carta que destaca as mudanças climáticas e pede atenção com urgência para a conservação da Amazônia. O evento foi promovido pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS), e contou com a participação do Monsenhor Marcelo Sanchez Sorondo, chanceler da Pontifícia Academia de Ciências Sociais do Vaticano.
A missa foi realizada em uma capela às margens do Rio Cueiras, que banha a aldeia indígena. Cerca de 100 pessoas de diferentes comunidades do Rio Negro foram à tribo para o encontro.
A Encíclica ‘Laudato Si’ (Louvado Seja), lançada em junho deste ano, é o primeiro documento da Igreja Católica que trata de questões ambientais. A carta é direcionada a todas as pessoas do planeta. Na missa, lideranças da Igreja no Brasil, América Latina e o representante levaram a mensagem do Papa aos comunitários.
Na homilia, o representante do Vaticano destacou ainda a injustiça social como um dos males para a chamada “casa comum”. “? preciso mudar a nossa maneira de agir. A essência do problema são os combustíveis fósseis usados pela sociedade. Ainda assim, as mudanças climáticas e o aquecimento global atingem mais os povos, como o daqui, que contribuem menos para o problema global, por usarem poucos combustíveis fósseis”, afirmou o monsenhor Marcelo Sorondo Sanchez.
Para o superintendente-geral da FAS, Virgilio Viana, levar a mensagem do Papa às comunidades ribeirinhas é essencial. “Na comunidade Três Unidos e em outras comunidades da região, temos centenas de guardiões da floresta. ? um momento de agradecer a essas pessoas que cuidaram e vêm cuidando da floresta. O ato de lançar parte da encíclica no Amazonas é um ato singelo, mas é muito simbólico”, declarou.
O líder da comunidade, tuxaua Valdemir Triukuxuri, agradeceu a presença dos representantes da Igreja. “A Amazônia é nossa mãe. Dela que recebemos esse ar, água, tudo que temos. Como o Papa disse, nós homens somos os destruidores da Amazônia, da nossa mãe, mas podemos melhorar, ter um novo renascer, e cuidar bem da nossa mãe Amazônia”, afirmou.
A atriz e ativista ambiental, Christiane Torloni, também participou da cerimônia. Representante da ONG Amazônia Para Sempre, a atriz destacou que a mensagem da Encíclica deve ser lida por todos, até os não-católicos. “A encíclica é um antídoto que chegou para nós, independentemente de religião e credo que as pessoas tenham. ? um estímulo para que possamos fazer algo e para quem está fazendo é um sopro de esperança também. O tempo dirá que a encíclica é um dos livros mais importantes”, disse.

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