Artigo: O papel dos jovens no combate às mudanças climáticas

30 de novembro de 2015 - Artigo de Gabriela Sampaio, assessora executiva da FAS e membro da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável na Amazônia Jovem (SDSN-Youth)

 
A vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, é uma das principais representantes dos jovens na ONU (Foto: Divulgação/ONU)

Por mais de 20 anos, líderes mundiais têm debatido e negociado sobre a redução das emissões de gás efeito estufa na Conferência das Partes (COP). Este ano a COP será realizada em Paris, e já se inicia com uma grande pressão no que diz respeito aos objetivos a serem alcançados, uma vez que se pretende estabelecer, pela primeira vez, um acordo vinculativo internacional para reduzir as emissões de gases de efeito estufa suficientes para manter o aquecimento global abaixo de dois graus Celsius.

Para garantir o envolvimento dos jovens na COP e torná-la mais legítima, o Secretário Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Kurt Waldheim requereu na década de 1980 que as partes (governos) incluíssem “jovens delegados” às suas delegações, considerando que os jovens já buscavam uma transformação sustentável em direções a modelos mais verdes e de baixo carbono na sociedade antes da Conferência. Desde então, os jovens têm sua posição assegurada como interlocutores nas Conferências e reuniões estratégicas da ONU. No entanto, os jovens não estão participando de uma maneira polida e monopolítica. Pelo contrário: estão desenvolvendo diferentes posições e demandas a partir dos seus próprios interesses, visando o bem comum das futuras gerações, uma vez que essa geração atual é a primeira a sentir os impactos das mudanças climáticas e a última que pode fazer alguma coisa a respeito disso, considerando estatísticas e projeções apresentadas pelos ambientalistas.

Durante a COP-11 (em Montreal), diversos jovens organizaram pela primeira vez uma reunião preparatória à Conferência da Parte, intitulada “Conferência da Juventude”, a fim de reforçar suas participações nas negociações climáticas. Quatro anos depois, em 2009, durante a COP-15 (Copenhague) a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) concedeu aos jovens de organizações não-governamentais o nome de YOUNGO. Pela primeira vez, jovens do mundo todo puderam clamar em uma única voz contra as mudanças climáticas.

Os jovens como adultos do futuro tem a responsabilidade de participar das negociações internacionais sobre o clima para demandar ações imediatistas. Em 2014, o Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) lançou o relatório Situação da População Mundial 2014, onde apresentou que a população de jovens no mundo passa de 1,8 bilhão, um recorde histórico, e que esses jovens são a chave para o desenvolvimento global, considerando que eles são agentes de mudança do pensamento social enfatizando o quanto é importante pautarmos justiça climática em todas as gerações.

A geração de jovens do século XXI tem forte consciência a respeito de temáticas sociais e ambientais, tem energia e conhecimento para conduzir a sociedade para um futuro resiliente e de baixa emissão de carbono. Esses jovens envolvem-se a nível local, nacional e global, buscam a conservação da natureza, promovem o uso de energias renováveis, adotam o consumo consciente como fuga do modelo capitalista vigente e agitam suas redes e mídias sociais em prol de questões verdes e coerentes.

O trabalho realizado com e pelos jovens é crucial para influenciar os governos a chegar a um acordo sobre um novo regime de mudanças climáticas na COP-21.

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