‘Acordo de Paris é positivo, mas não é suficiente’, diz líder da rede SDSN na América do Sul

10 de dezembro de 2015 - Novo texto do acordo em negociação foi apresentado na quarta-feira (9)

 
Jeffrey Sachs e Virgilio Viana comentaram o texto (Foto: Victor Salviati/FAS)

O texto do acordo em negociação na COP 21 foi tema de debate, nesta quinta-feira (10), no “Climate Generations areas”, que acontece em Paris. No encontro, o co-chair para a América do Sul da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável (SDSN), Virgílio Viana, declarou acreditar os resultados desta COP podem não ser suficientes.

Na Conferência, líderes e ambientalistas ressaltaram a importância de agir com urgência, mudando principalmente a mentalidade para zerar o desmatamento, promover ações de reflorestamento e cortar o uso de combustíveis fosseis. Para Virgílio, apesar do acordo final colocar em consenso os países signatários, suas metas precisam ser mais ambiciosas, considerando o cenário atual de emissões.

“A minha avaliação da COP é positiva por um lado, pois tivemos avanços na construção de um texto que coloca em acordo todos os países aliados. Por outro lado, esse é um acordo insuficiente, principalmente se olharmos a necessidade de reduções muito mais profundas nos níveis de emissões em nível global”, explica o co-chair, que também é superintendente geral da Fundação Amazonas Sustentável (FAS).

A expectativa é que o acordo seja complementado com metas mais efetivas, partindo de avaliações contínuas e já previstas dos cenários locais de mudanças climáticas, explica Virgilio.

“Serão feitas avaliações periódicas, no sentido de compreendermos os avanços e as necessidades de ampliar as ações relacionadas às reduções de emissões de gases de efeito estufa. Por isso eu acredito que podemos ter um nível de otimismo moderado e ao mesmo tempo de preocupação moderada com relação à necessidade de ir além daquilo que foi acordado aqui”, defende.

O diretor-geral da Rede SDSN, Jeffrey Sachs, também pediu urgência nas metas. “O acordo de Paris pode e deve ser celebrado. Entretanto, não será suficiente. Temos que buscar soluções práticas para a descarbonização completa das nossas economias. É necessário uma estratégia baseada em uma análise quantitativa: temos um orçamento de emissões de 100 bilhões de toneladas de CO2 até o final do século. Temos que ter planos claros para zerar as emissões a curto prazo”, ressaltou.

Acordo

O texto apresentado na quarta-feira (9) era composto por 29 páginas, tamanho considerado adequado para um tratado. O número de expressões entre colchetes – que sinalizam impasse – caiu de 949 para 367 no esboço de acordo. No entanto, alguns artigos do esboço permaneciam na forma de opções, que podem ou não sobreviver até o texto final. “As boas opções permanecem, o que falta é sabermos quais vão restar”, afirmou Ana Toni, diretora do Instituto Clima e Sociedade, em entrevista ao portal G1.

Elementos como a menção a 1,5oC como limite máximo de aquecimento global tolerável, a possibilidade de atingir emissão líquida zero no meio do século, e a revisão das metas nacionais (INDCs) a cada cinco anos a partir de 2018 ou 2019, foram trocados por uma menção à cooperação voluntária entre países do sul, de acordo com o Observatório do Clima.

Os temas que continuam em colchetes devem ser negociados nesta quinta e sexta-feira (11).

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