Cinco comunidades da RDS Rio Negro recebem licenças para manejo florestal sustentável

26 de outubro de 2016 - Ribeirinhos da região poderão realizar atividades sustentáveis, seguindo critérios designados nos planos de manejo aprovados

 

Seis planos de manejo florestal sustentável receberam licença, nesta semana, em comunidades da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro. Na prática, isso significa que comunitários da região poderão realizar a exploração madeireira por meio de uma prática sustentável, seguindo critérios designados nos planos de manejo. No total, 34 famílias de cinco comunidades devem ser beneficiadas.

A aprovação dos planos, confirmada na Ultima semana, foi viabilizada por meio de uma parceria entre a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), que tratou do processo de licenciamento diretamente junto ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), órgão do governo estadual responsável pela regulamentação. As comunidades que receberam licença de operação são: Marajá, Nossa Senhora de Fátima, Tumbira, Terra Preta e Santa Helena do Inglês.

“As licenças de operação são uma parte essencial no processo do manejo florestal sustentável, pois valida todo um trabalho de estudo de área, seleção cuidadosa das espécies, discussões e capacitações para tornar o trabalho dos ribeirinhos eficiente, seguro e acima de tudo, sustentável”, explica a coordenadora-geral do Programa Bolsa Floresta (PBF), Valcleia Solidade.

Uma vez licenciada a área, o próximo passo é dar continuidade às capacitações voltadas para as atividades de manejo na reserva que englobam desde oficinas teóricas e práticas que sobre técnicas de exploração sustentável, até instruções de segurança e primeiros socorros na floresta. A ideia é tornar o processo mais sustentável e competitivo, para abrir novos mercados.

Arranjo produtivo

As licenças são parte de um processo de desenvolvimento da atividade na RDS Rio Negro que já dura cerca de quatro anos. De forma participativa, os ribeirinhos decidiram que parte do orçamento do Programa de Geração de Renda (Bolsa Floresta), desenvolvido pela FAS em parceria com o Fundo Amazônia/BNDES, Bradesco e Coca-Cola Brasil, seria destinado à ações estruturantes na cadeia do manejo florestal de pequena escala, como serras eficientes, Equipamentos de Proteção Individual (EPI), capacitações e visitas técnicas.

Desde 2012, com o Manejar para Conservar, que tem apoio do Instituto Camargo Corrêa e do BNDES, a Associação de Moradores e Comunidades Sustentáveis da RDS Rio Negro adquirir um trator e uma balsa para facilitar o escoamento da produção.

“Um dos grandes desafios é tornar a cadeia da madeira competitiva, para que possa fazer frente à produção ilegal. Para isso, é preciso fazer com que o processo seja mais eficiente, facilitando o escoamento da produção, beneficiando a madeira e agregando valor ao trabalho regulamentado”, explica a coordenadora da FAS para o Rio Negro, Jousanete Dias.

Alternativa contra o desmatamento

O manejo florestal é uma prática que valoriza a madeira legal, em um processo de exploração autorizado mediante a elaboração e licenciamento de planos pelo órgão estadual de meio ambiente, que obedece rigorosos critérios técnicos para garantir a sustentabilidade da produção florestal para as próximas gerações. A ação tem apoio do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).

O incentivo ao manejo sustentável do potencial da floresta com os ribeirinhos é uma das alternativas para reduzir o desmatamento na Amazônia, valorizando a madeira legal e assegurando a renda para comunidades. “Nosso maior desafio é transformar o explorador tradicional de madeira em manejador de floresta. Estamos executando atividades que irão trazer benefícios econômicos e sociais, respeitando a floresta”, conclui Emily Vinhote, supervisor técnico da FAS.

Além dos planos licenciados, outros sete processos na RDS do Rio Negro estão em andamento. Se aprovados, têm o potencial de beneficiar quase o dobro de famílias e incentivar cada vez mais a autonomia dos ribeirinhos da reserva.

Newsletter