Artigo: Juntos somos mais fortes: a importância de parcerias Sul-Sul para combater as mudanças do clima globais

8 de novembro de 2016 - Artigo de Victor Salviati, biólogo especialista em REDD+ e coordenador do Programa de Soluções Inovadoras da Fundação Amazonas Sustentável

 
Experiência de cooperação Sul-Sul entre Brasil e Tanzânia (Foto: Victor Salviati/FAS)

Por Victor Salviati

A ONU estabeleceu formalmente, em 1978, uma unidade para fomentar troca de informações e comércio entre países do Sul. Na década de 1990, com a queda do muro de Berlim, diversos governos europeus intensificaram seus apoios com interações triangulares com países em desenvolvimento, pobres e abaixo da linha da pobreza.

A importância dessas parcerias Sul-Sul está em sua lógica: aproximar países ou regiões com desafios semelhantes e aspectos sociais, econômicos e/ou ecológicos similares para desenhar e implementar soluções replicáveis e adaptáveis para cada território.

Não é à toa que no Acordo de Paris, fechado em 2015 e ratificado pelo Brasil em setembro deste ano, as palavras “cooperação” e “colaboração” tem grande destaque – as mudanças do clima globais são um desafio para todos nós.

Desafios ambientais endereçados na África Central podem ser adaptados para o sudeste Asiático. Projetos de melhoria da qualidade de vida na Amazônia Brasileira podem ser replicados para a Bacia do Congo. Planos de investimentos em geração de renda sustentável feitos no estado do Amazonas podem ser ajustados e aplicados na Malásia ou em Moçambique.

O diferencial é a interação local: a abordagem “de baixo para cima”. Soluções cartesianas desenhadas em salas fechadas, por consultores capacitados mas sem contexto local, não são eficazes. A parceria tem que ser transformativa e de impacto: não basta capacitar atores, mas ter um ambiente institucional mais adequado para potencializar tais mudanças.

Por isso é mandatória a evolução do conceito de cooperação Sul-Sul de “assistencialismo” e “neocolonialismo” para apoio ao desenvolvimento integral e fortalecimento dos atores locais. É necessária a adição ao termo “cooperação” (i.e. relação de harmonia entre pessoas) o termo “colaboração” (i.e. ambiente favorável para interação).

Um exemplo recente é a iniciativa de Marrocos, organizador da 22ª Conferência das Partes do Clima (COP22) em estimular cooperações entre países africanos para apoiar a implementação dos respectivos planos estratégicos nacionais de redução de emissões (NDC).

Não por acaso, a COP22 apresenta, em sua pauta e em seus eventos paralelos, uma ênfase em cooperação e colaboração institucional, técnica e financeira entre as partes, entidades subnacionais e demais atores (academia, ONG e empresas).

Toda COP tem seu legado e seu mote ou tema. A COP19, em Varsóvia, foi a “COP do REDD+”; a COP20, em Lima, foi a “COP dos Povos”; a COP21 foi a “COP do Acordo”. A Ministra Marroquina, Dra Hakima El Haité, organizadora da COP22, tem demonstrado que essa será a “COP colaborativa”.

As mudanças do clima intensificadas por ações antrópicas é um dos maiores desafios da humanidade. O ponto de não retorno, limite da capacidade suporte do planeta, está muito próximo – em algumas regiões, como Bangladesh ou em países insulares, a vida já está drasticamente modificada. Temos pouco tempo para mudar a aguda tendência do aumento de temperatura e precisamos, todos juntos (!!), ser assertivos, eficientes e eficazes.

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