De portas abertas: ribeirinhos apresentam projetos de base comunitária para empreendedores de sucesso no Brasil

17 de novembro de 2016 - O evento foi centrado em três setores: mercado e inovação, artesanato e moda e gastronomia e turismo

 
Visita à comunidade Santa Helena do Inglês, no Rio Negro | Foto: Mariana Filizola/FAS

Cultura, sustentabilidade e inovação. Os elos da chamada economia criativa foram tema do “Diálogos Criativos: negócios sustentáveis na Amazônia” realizado na Ultima semana pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS) em parceria com a Associação Zagaia da Amazônia. Diferente das rodas de negócio convencionais, o foco do evento era uma troca de experiências entre um pUblico inédito: novos empreendedores ribeirinhos e empreendedores já consolidados de diversas partes do Brasil.

O evento foi centrado em três setores: mercado e inovação, artesanato e moda e gastronomia e turismo. Segundo Wildney Mourão, Coordenador de empreendedorismo e negócios sustentáveis da FAS, essas temáticas foram discutidas buscando pensar no cenário local.

“A finalidade do Diálogos é promover oportunidades de mercado para os empreendedores da floresta, tendo a conservação ambiental e a inovação como pano de fundo permeando a valoração dos ativos da Amazônia”, afirma.

Experiências de sucesso a partir de ativos regionais foram apresentadas por todos os empreendedores convidados, como o chef amazonense Dedé Parente, da Cachaçaria do Dedé e a a designer de biojóias Maria Oiticica, radicada no Rio de Janeiro. As trajetórias de desafios são uma inspiração para os empreendedores da floresta que estão começando agora.

“Histórias como a do sr. Dedé me marcaram muito. Ver como ele começou, as lutas e o trajeto que ele trilhou para chegar até onde está hoje são uma inspiração” afirma Vagner Menezes, empreendedor ribeirinho da região de Carauari que trabalha com a extração de óleos vegetais.

Nos dois primeiros dias, o Diálogos teve ciclos interativos de palestras com o objetivo de projetar ideias, trocar experiências e compreender o mercado a partir da experiências de todos os empreendedores. Apoiado pelo Fundo Newton, British Council e pelo Fundo Amazônia, o evento terminou no sábado com uma visita à comunidade do Tumbira, na RDS do Rio Negro.

Durante a visita, empreendedores ribeirinhos e os empreendedores palestrantes convidados do puderam conhecer empreendimentos sustentáveis na floresta, como a Pousada Garrido, gerida por comunitários da comunidade do Tumbira. Para Ana Gabriela Fontoura, diretora da Estação Gabiraba de ecoturismo em Belém e palestrante convidada, a pousada é um exemplo de empoderamento comunitário: “Iniciativas como essa no Tumbira colocam o turismo nas mãos dos moradores locais, que assumem o papel de gestores do turismo onde vivem”. As belezas da região também são um potencial para o turismo local, segundo ela.

“Numa região que tem um potencial turístico gigante como o Rio Negro, ter uma comunidade onde o dono do negócio é o morador é muito promissor, principalmente sabendo que os comunitários estão tendo no turismo uma possibilidade de participar de uma atividade econômica sustentável” afirma.

Segundo Sergio Matos, designer paraibano que também participou da visita, a troca de ideias com empreendedores da floresta permitiu compreender todo o processo até a venda dos produtos.

“O grande mérito desse encontro foi reunir as duas pontas da cadeia. O empreendedor, produtor da floresta e o lojista que está na ponta com o cliente final. ? interessante ver os dois pontos de vista para entender toda a cadeia produtiva e pensarmos juntos em como alcançarmos novos mercados” afirma.

A visita à Reserva terminou com um almoço no Restaurante do Inglês, empreendimento comunitário às margens do Rio Negro. Ao todo, treze empreendedores participaram da visita, que possibilitou uma troca de ideias informal e mais próxima.

“Os conhecimentos e as histórias que a gente conseguiu dividir são impressionantes. São histórias de vida de muita gente fazendo coisa boa pela floresta que às vezes nem sabemos” afirma Ana Gabriela. Para Vagner, conhecer outros empreendedores é encorajador: “Essa troca de experiências é o que de fato mexe com a gente que está começando e inspira a seguir. Isso era o que faltava para sabermos que estamos no foco certo. Uma porta que se abriu para a gente traçar o caminho e saber que mesmo estando na floresta temos potencial sim” afirmou.

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