Olimpíada na Floresta reúne mais de 700 moradores na RDS Amanã

14 de março de 2017 - Evento teve por objetivo utilizar o esporte como instrumento de transformação e de incentivo do desenvolvimento integral de crianças e adolescentes ribeirinhos

 

Um fim de semana de muito esporte e cidadania. Entre os dias 10 e 12 de março aconteceu na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Amanã a I Olimpíada na Floresta, que envolveu crianças, adolescentes e jovens de sete a 17 anos de todas as comunidades da reserva. O evento foi uma realização da Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e Bradesco, e reuniu mais de 700 pessoas entre competidores, pais, responsáveis e moradores da Unidade de Conservação (UC) e entorno.

A Olimpíada teve por objetivo utilizar o esporte como instrumento de transformação e de incentivo do desenvolvimento integral da criança e do adolescente ribeirinho. Durante dois dias, 467 atletas disputaram competições de tiro com arco, futebol, vôlei, queimada e atletismo na comunidade Vila Nova do Amanã, Médio Rio Solimões. Jovens como Loren Sophia, que participou pela primeira vez de uma atividade como essa.

“Estou muito orgulhosa de ter participado do projeto e pela primeira vez de uma olimpíada no meio da floresta. O projeto mudou a forma como víamos a nossa reserva, e mostrou um novo jeito de proteger os rios, nossa comunidade. A olimpíada é um momento legal pois comemora isso”, comenta Loren Sophia, aluna de educação ambiental do projeto.

Times de São João do Ipecaçu, campeões do futebol feminino - Felipe Irnaldo

Times de São João do Ipecaçu, campeões do futebol feminino – Felipe Irnaldo

Para as competições, o Projeto Dicara e os ribeirinhos ajudaram a reformar dois campos de futebol, reformar duas quadras de grama para o vôlei, erguer arquibancadas, reformar o centro social e o calçamento da comunidade. “Foi uma ação intensa de seis dias para deixar tudo pronto a tempo. Mas o resultado final valeu à pena, e estamos muito felizes”, destaca Enoque Ventura, da equipe do Dicara que coordenou a mobilização para construção de infraestrutura.

Para o coordenador do projeto, Ademar Cruz, a Olimpíada é uma oportunidade de levar direitos às comunidades isoladas do interior do Amazonas.

“O grande objetivo da olimpíada é ofertar para esses jovens o direito à cidadania, seja através de cursos de capacitação, ou por meio dessa integração por meio do esporte e da cultura. Esse é um evento que mescla os dois, trazendo os talentos da comunidade para o centro das atenções”, destaca.

O evento também ajudou a movimentar a economia local, como o caso da artesã Maria Rozenice, que teve oportunidade de vender o Teçume, artesanato regional característico da região do Médio Solimões. Maria, que também foi instrutora do projeto, enfrentou quatro horas de barco para expor e comercializar a produção durante o evento.

Artesão Maria Rozenice, instrutora do Dicara | Foto: Felipe Irnaldo

Artesão Maria Rozenice, instrutora do Dicara | Foto: Felipe Irnaldo

“? um motivo de alegria muito grande poder ministrar aulas no projeto, ver os meus alunos brincando e mostrar um pouco do meu trabalho nessa festa. As comunidades tem muitos talentos do futebol, do vôlei, e que precisam de uma oportunidade para aparecer e mostrar o seu valor, assim como no artesanato”, comenta.

Programação cultural

Como uma grande festividade esportiva, a Olimpíada na Floresta também ofereceu uma rica programação cultural para os comunitários. Na sexta-feira (10) à noite, a abertura teve um cerimonial que englobou desde o acendimento da tocha olímpica até a apresentação de oito danças típicas regionais.

No sábado, a noite foi coroada com o desfile do concurso de beleza dos garotos e garotas Dicara. No domingo (13) um show de talentos agitou a comunidade, com a apresentação de adolescentes e jovens acompanhados da Banda Municipal de Maraã, e a cerimônia de entrega de medalhas.

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