FAS debate financiamento para conservação da Amazônia, durante a COP23

8 de novembro de 2017 - Em evento, Fundação destaca pioneirismo que a Amazônia tem em relação à redução do desmatamento e conservação

 
Foto: Felipe Irnaldo/Bonn, Alemanha

A Aliança REDD+ Brasil reuniu nesta quarta-feira (8) organizações não-governamentais para discutir o potencial de financiamento de projetos de conservação na Amazônia. A ação aconteceu durante a 23° Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, na Alemanha, que reúne até 17 de novembro representantes de 197 países para discutir a redução da temperatura do planeta em 1,5 a 2°C até 2030, assinado no Acordo de Paris.

Pioneira no tema com o projeto de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação no País (REDD+) do Juma, a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) apresentou os avanços e desafios de projetos sustentáveis relacionadas ao REDD + (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação, mais manejo florestal sustentável).

O REDD+ é uma ferramenta que permite às organizações e governos captarem recursos internacionais para conservação e melhoria de qualidade de vida de populações tradicionais. Com 95% de floresta conservada, o Amazonas tem grande potencial de arrecadação, tanto pelo Acordo de Paris, quanto pelo mercado de carbono da aviação civil internacional (Corsia/Icao). A floresta conservada absorve carbono e o “neutraliza” em forma de oxigênio, o que vem minimizado em grande escala o impacto causado pela energia, indústria e transporte dos países desenvolvidos.

“A floresta amazônica é uma das maiores prestadoras de serviços ambientais para o mundo, com importância singular no controle e mitigação das mudanças climáticas. Isso tem que ser devidamente recompensado”, defendeu o superintendente-geral da FAS, Virgílio Viana.

A Fundação é uma das organizações pioneiras no tema de REDD+. Desde 2008, com o projeto na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Juma, a FAS ajudou a conservar uma área de 589.612 hectares, ajudando a melhorar a vida de cerca de 2 mil famílias da região. O Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônica (Idesam), também desenvolve iniciativas no Estado.

Dados apresentados pela Aliança REDD+ mostram que o Brasil tem grande potencial de financiamento para conservação, comando e controle do desmatamento na Amazônia. Até 2030, seria possível captar até US$ 70 bilhões por meio de REDD+ na região, em um momento em que especialmente o país passa por uma crise no setor ambiental.

“O MMA teve um corte de amplo no orçamento, o IBAMA está dependendo do Fundo Amazônia para fortalecer suas ações de comando e controle. O REDD+ não resolverá todos os problemas ambientais do país, mas será uma importante alternativa, e por isso precisa estar presente na pauta da COP-23”, explica Pedro do Soares, do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM).

Formada por BVRio (Bolsa de Valores Ambientais), Biofílica Investimentos Ambientais, Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Instituto Centro de Vida (ICV), Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), Instituto de Pesquisas da Amazônia (IPAM), Environmental Defense Fund (EDF) e Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a Aliança para o REDD+ Brasil trabalha para divulgar o REDD+ como ferramenta voltada a pôr fim no desmatamento ilegal e gerar recursos para governo, produtores, comunidades tradicionais e indígenas.

COP-23

A FAS participa até 17 de novembro da Conferência, que tem por objetivo reunir representantes do mundo inteiro em uma agenda integrada para reduzir entre 1,5°C e 2° o aumento de temperatura do planeta.

No dia 10 de novembro, a Fundação convoca a comunidade internacional para debater “Como conciliar a redução do desmatamento com os ODS na Amazônia”, no Espaço Brasil. O objetivo é discutir estratégias voltadas à promoção dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) na Bacia Amazônica com representantes do Ministério do Meio Ambiente (MMA), do Fundo Amazônia/BNDES e do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas (FBMC), que se reuniu em Manaus este ano.

No dia 13, junto com a Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável (SDSN-Amazônia) e a Universidade de Bonn, será realizado o evento “Muito grande para falhar: a Amazônia e soluções para o desenvolvimento sustentável”, buscando apresentar alternativas para a conservação da região.

Por fim, e ainda a ser confirmado, no dia 14 haverá o evento “Novos progressos para medir os compromissos dos setores privado e governamental para combater o desmatamento e diminuir as emissões” em parceria com o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Observatório do Clima, Rainforest Alliance e outros, que tratará os avanços das políticas públicas e iniciativas privadas para a conservação.

Sobre a FAS

A Fundação Amazonas Sustentável (FAS) é uma organização brasileira não governamental, sem fins lucrativos, de utilidade pública estadual e federal. Por meio de seus programas, leva iniciativas de geração de renda, melhoria de qualidade de vida, empoderamento comunitário que beneficiam cerca de 40 mil pessoas, moradoras de 583 comunidades de 16 Unidades de Conservação (UCs). Saiba mais: www.fas-amazonas.org

Texto: Izamir Barbosa

Fotos: Felipe Irnaldo

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