FAS levará soluções inovadoras do Amazonas para o Fórum Mundial de Águas, em Brasília

19 de março de 2018 - Iniciativas buscam promover acesso à água em comunidades remotas da Amazônia

 
Água potável chega a casas na RDS Rio Negro | Foto: Dirce Quintino

Soluções para acesso à água na Amazônia serão destaque no 8º Fórum Mundial de Águas, que acontece de hoje até o dia 23 de março em Brasília-DF. A Fundação Amazonas Sustentável (FAS) levará experiências do estado na distribuição e purificação de água que beneficiam cerca de 9 mil famílias moradoras de áreas remotas, em 16 Unidades de Conservação (UC).

A FAS apresentará a história dos sachês purificadores de água (P&G Sachet), uma tecnologia de baixo custo utilizada para converter água contaminada em água potável, retirando sólidos em suspensão ou impurezas. Cada sachê de quatro gramas purifica 10 litros de água potável, e em 2017, foram distribuídos 445 mil unidades nas RDS Amanã, Canumã, de Uacari, do Juma, do Rio Madeira, do Uatumã, Mamirauá, Piagaçu-Purus, além da FE de Maués e da Resex Catuá-Ipixuna.

“O acesso à água e saneamento é um grande desafio em áreas remotas da Amazônia, apesar da abundância de recursos hídricos. Prover sistemas de distribuição e purificação de água é um desafio que tem um impacto enorme para a conservação da própria floresta, que é fundamental para o equilíbrio hidrológico do mundo”, enfatiza o superintendente-geral da FAS, Virgílio Viana.

Outra inovação é o Aguabox, desenvolvido em parceria com Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Os equipamentos têm como função desinfetar a água utilizando raios ultravioleta tipo C fornecidos pela energia solar, que retira dos microrganismos a capacidade de se multiplicar por meio de um dano fotoquímico em sua estrutura. Foram instalados sete aparelhos nas RDS Mamirauá, Puranga Conquista e Rio Negro.

Cinco foram instalados nas comunidade São Francisco do Boia, Porto Alegre, São Miguel, Síria e Maguari, na RDS Mamirauá, em 2016, e por meio do Programa Água+Acesso, foi instalado um purificador na comunidade Solimõezinho e um poço artesiano na comunidade Tatulândia, na RDS Puranga Conquista, além de um sistema de distribuição e purificação de água na comunidade Marajá, na do RDS Rio Negro.

Escolas D’água

Com o objetivo de preparar as crianças das novas gerações para compreensão e prática do uso sustentável da água, a FAS promove desde 2016 a Escola D’Água Swarovski, que vem realizando ciclos de formação de professores e alunos da RDS Piagaçu-Purus. A metodologia da Escola é adaptada de acordo com a realidade e as necessidades de cada país e região.

“As comunidades ribeirinhas vivenciam um contexto precário em relação ao acesso à água: em várias delas não há a possibilidade de cavar poços e a água é consumida diretamente do rio, com muito pouco ou nenhum tratamento. Além disso, a grande maioria das comunidades não têm práticas adequadas no manejo e uso da água, fato que afeta negativamente as pessoas e o meio ambiente”, explica a coordenadora do projeto, Raquel Luna.

Em 2017, foram realizadas duas rodadas de capacitação com alunos e professores de 10 comunidades da RDS Piagaçu Purus, voltadas ao engajamento comunitário para sonhar e implementar a infraestrutura das escolas, campanhas educativas com alunos. Uma primeira rodada de monitoramento de impacto está em curso e encerrará o primeiro ciclo do projeto em Abril de 2018.

Programação

No Fórum Mundial de Águas em Brasília, a Fundação realizará sete eventos voltados a gestão de recurso hídricos, avanços e desafios para promoção do saneamento em áreas remotas da região, em parceria com o Fundo Amazônia/BNDES.

Na segunda-feira (19), discutirá mecanismos de financiamento para conservação da região junto com vários parceiros, em sessão a partir das 16h30. Nesta terça-feira (20), a FAS realiza o evento “Abordando os riscos climáticos de comunidades vulneráveis”, às 11h, que deve abordar como as mudanças climáticas podem impactar a vida das comunidades ribeirinhas da Amazônia, e discutir saídas e visões de diversos atores públicos e privados para isso.

Na quarta-feira (21), às 09h, a organização preside o painel “Eficiência no uso da água para gestão responsável: a indústria está ciente dos riscos e oportunidades relacionados à água?”, que busca reunir representantes do terceiros setor, da ciência e da indústria para debater os impactos no consumo e responsabilidades para com as mudanças do clima.

Na quinta-feira (22), serão realizados três eventos. O primeiro às 9h, “Gestão com consciência hídrica”, busca criar pontes entre políticas públicas e financiamento para projetos voltados à conservação de água e saneamento na Amazônia, entrave histórico para o desenvolvimento regional. A discussão de metodologias participativas para o processo de tomada de decisão na gestão de recursos hídricos será pauta de evento às 11h, voltada para gestores públicos e de organizações que lidam com a causa.

Às 14h30h, a Fundação deve discutir os desafios para a proteção do potencial hidrológico de de cada bioma brasileiro, a partir de suas especificidades e pontos de vista de diferentes especialistas. E às 16h30, encerrando a participação, a fundação discutirá adaptação às mudanças climáticas, e como as comunidades da Amazônia estão se ajustando aos efeitos de cheias e secas mais frequentes. Confira a programação completa:

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