bordering young exercise literary art in meeting with Amazonian writers

25 September 2018 - More than 150 children and adolescents from communities in the state exercised reading and writing next to Jan Santos and Beatriz Mascarenhas, promising names in the regional literature

 
Atividades na comunidade Tumbira, at Rio Negro Negro | Photo: Keila Serruya

Instrumento capaz de fazer a mente do ser humano transcender no tempo e no espaço, a literatura é, still, pouco acessada por considerável parte da população brasileira, seja por falta da “cultura do ler” ou devido a um deficitário ensino público. E para comunidades ribeirinhas localizadas nos mais longínquos territórios no interior do Amazonas a arte da leitura e da escrita é, por vezes, uma experiência mais distante.

Por este motivo, e com o objetivo de promover a leitura, o domínio da oratória e da escrita para crianças e adolescentes de escolas ribeirinhas de quatro Unidades de Conservação (UC) in Amazonas, o Projeto Incenturita, Sustainable Amazon Foundation (FAS), levou dois escritores amazonenses, Jan Santos e Beatriz Mascarenhas, para visitar jovens estudantes dessas comunidades. As ações foram realizadas em parceria com o Instituto Alair Martins, Samsung e Bradesco.

Nomes promissores na literatura amazônica e conhecidos por obras sobre o folclore amazônico e poesias em versos livres, Jan e Beatriz exercitaram a arte da leitura e da escrita com mais de 150 alunos dos núcleos Márcio Ayres, da comunidade Punã, on Sustainable Development Reserve (Reserve) do Mamirauá, no município de Uarini; Agnello Bittencourt, community Tumbira, Rio Negro Reserve of Social Development, in Iranduba; e Assy Manana, community in Three States, dentro da Área de Proteção Ambiental Rio Negro, in Manaus.

Nos encontros, que contaram participação voluntária dos escritores, os jovens puderam compartilhar vivências e sentimentos em relação à escrita. “São jovens que contam histórias o tempo todo. Histórias orais de assombração ou ‘visagens’, histórias de animais, de temporais, de caminhadas na floresta, etc.. Nosso objetivo era estimulá-los para que pudessem enxergar como possível a imortalização de suas histórias através da escrita. Nada melhor que pudessem interagir diretamente com alguém que dedica sua vida à arte da escrita”, disse Emerson Pontes, coordenador do Projeto Incenturita.

De acordo com Pontes, durante as visitas foram desenvolvidas atividades como oficinas sobre subgêneros literários, desde o conto, até a ficção e elementos tradicionais de narrativa; rodas de diálogo sobre as relações entre tradição oral e a literatura; oficinas de improviso e narração; oficinas de produção textual, além de leituras compartilhadas de textos de Jan Santos e de Beatriz Mascarenhas, e também de outros escritores amazonenses como Thiago de Melo e Vera do Val.

“Foi uma experiência muito bonita para mim. Estávamos ali trabalhando com a oralidade e a maioria das histórias que os garotos compartilharam foi a partir da tradição oral que eles cultivam na comunidade”, contou o escritor Jan Santos. “Foi muito bacana ver que o que a gente chama de oralidade é algo vivo e pulsante na vida deles, faz parte do cotidiano. Ver como eles sentiam deleite e se sentiam representados em poder contar as próprias histórias e poder dividi-las, e compreender que as histórias que eles escutam todos os dias podem ser convertidas em literatura por eles mesmos”.

Peça teatral

Além de aprenderam sobre subgêneros literários e exercitarem a produção textual, os jovens também puderam desenvolver a linguagem teatral. Crianças e adolescentes da comunidade Tumbira, RDS in the Rio Negro, in Iranduba, criaram e encenaram uma peça teatral inspirada no livro “A Batalha da Cachoeira do Cipó”, de Vera do Val, utilizando exemplares doados pela própria autora. A escritora Beatriz Mascarenhas, que também é atriz e produtora de um coletivo teatral em Manaus, o Coletivo Mona, participated in action.

“Eles mesmo foram criando cada cena da peça. Não tiveram falas decoradas, papéis ou textos prontos. Eles tiveram a liberdade total de criar em cima do texto da Vera do Val, falaram o que cada personagem deveria falar de acordo com cada cena”, explicou Beatriz. “Foram muito criativos e também produziram os figurinos, o cenário da peça, tudo tirado de dentro da mata, com folhas e flores para compor as indumentárias. Eles foram muito felizes”.

Para Beatriz, a experiência vivida com as crianças e adolescentes das comunidades ribeirinhas também foi bastante significativa. “Antes da peça, quando ensinamos sobre as características dos contos e eles precisaram criar, foi muito comum ver contos sobre a vida deles, a canoa, a cobra, o rio, bem diferente do meio urbano do qual estou acostumada. Então foi muito gratificante poder ouvir essas histórias, próximas da realidade dele”, ressaltou a escritora.

Banco de Histórias de Vida

Os textos literários produzidos pelos jovens durante as visitas vão servir, no futuro, para criar um Banco de Histórias de Vida dos ribeirinhos, que é parte do Projeto Incenturita como produção artística e cultural. Segundo Emerson Pontes, coordenador do Incenturita, as crianças e adolescentes participantes do projeto ficaram satisfeitos com os resultados.

“Foi muito estimulante perceber a satisfação deles e dos escritores com esta vivência. Conexões deste tipo nos ensinam muito e também fortalecem a nossa estratégia de mobilização de juventude. Voltamos com versões aprimoradas de histórias escritas que estão compondo um Banco de Histórias de Vida de jovens ribeirinhos”, disse Pontes.

Escritores amazonenses

Jan Santos é mestrando em Letras e Estudos Literários pela Universidade Federal do Amazonas (I trust). O imaginário amazônico tem sido vital no projeto literário dele, aparecendo com destaque no segundo livro “A Rainha de Maio” (2016) e entre os contos de “Relatos de um Mundo sem Luz” (2013), “Quando a Selva Sussurra” (2015), “O Dia em que enterrei Miguel Arcanjo e outros contos de fadas” (2017) e “As Cores da Floresta” (2018).

Beatriz Mascarenhas é mestranda também em Letras e Estudos Literários pela Ufam. A poesia dela é em versos livres e crônicas sobre o cotidiano e compõem as principais obras dela, como “As Dez Poetisas – Antologia Formas em Poemas” (2012). Mascarenhas também é atriz e produtora de um coletivo teatral em Manaus, o Coletiva Mona.

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