Mineradores de pequena escala do Rio Madeira participam de intercâmbio no Peru

18 de setembro de 2018 - Modelos de extração de minério menos agressivos ao ambiente desenvolvidos na Amazônia estiveram em pauta

 

Mineradores de pequena escala brasileiros, colombianos e peruanos compartilharam experiências e técnicas de trabalho por uma mineração mais sustentável e menos agressiva à natureza. Eles participaram da Oficina “Mineração artesanal e de pequena escala: construindo um processo de diálogo na Bacia Amazônica”, que teve apoio da Fundação Amazonas Sustentável (FAS) em Puerto Maldonado, no Peru, no final de agosto.

Participaram da ação mineradores das Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Madeira e do Rio Amapá, que visitaram uma mineradora de pequena escala situada na calha do Rio Madre de Dios. A ação contou com a organização e apoio do Instituto Internacional de Meio Ambiente e Desenvolvimento (IIED), Aliança para Mineração Responsável (ARM), Sociedade Peruana de Direito Ambiental (SPDA) e FAS, para promover o intercâmbio de desafios e soluções sobre o tema.

“O objetivo foi gerar troca de experiências, opiniões e aprendizados de mineradores e mineradoras comprometidos com a formalização e boas práticas na bacia amazônica e identificar possíveis soluções para comunidades mineradoras da bacia amazônica”, explicou a supervisora técnica de projetos do programa Soluções Inovadoras da FAS, Gabriela Sampaio.

Segundo Sampaio, os extrativistas identificaram diferenças na extração de minério entre os países e compararam técnicas de extração. “Foi uma experiência valiosa, principalmente para os mineradores de pequena escala do Brasil, pois, a partir da oficina, eles puderam identificar as perspectivas, visões e desafios que os mineradores enfrentam ao tentar realizar uma mineração compatível com o desenvolvimento sustentável das comunidades, além de entender as diferenças entre os países”, ressaltou.

O minerador Marcos Paulo Barros, comunitário da região do Madeira, foi um dos brasileiros que participou da visitação à mineradora no Peru. Segundo ele, a principal diferença é no impacto gerado à natureza. “Visitamos uma área de exploração mineral e o que percebemos é o impacto gerado por eles na região. Eles conseguem destruir uma área considerável e também a recuperação dessa terra ocorre de forma diferente do que fazemos no rio Madeira”, disse.

De acordo com a supervisora Gabriela Sampaio, uma das diferenças na extração de minério entre os países é o local de trabalho. “No Peru, os comunitários começam a abrir florestas, muitas vezes ainda primárias, para atividades de mineração e, consequentemente, desmatam. No Madeira a mineração acontece em embarcações, onde os mineradores também vivem, enquanto no Peru o local de trabalho é simples e rudimentar”, explicou.

Extrações de minério

Como resultado da visitação e da oficina à mineradora de Puerto Maldonado, deverá ser produzido um documento jornalístico com a percepção dos extrativistas mineradores sobre as atividades desenvolvidas no Brasil, Colômbia e Peru.

“A mineração artesanal e de pequena escala é diferente nos três países. A ideia de se encontrarem foi para ver como se dá essa mineração em diferentes aspectos, a fiscalização e a legislação nesses países e como, de fato, é feita a mineração em pequena escala”, disse Gabriela Sampaio.

Veja o vídeo:

 

 

Newsletter