Arqueiros indígenas do Amazonas conquistam três medalhas de ouro no Campeonato Brasileiro de Tiro com Arco, no RJ

17 de novembro de 2018 - Competidores das etnias kambeba e karapãna, do baixo Rio Negro, fazem parte de projeto da Fundação Amazonas Sustentável (FAS)

 
Gustavo, Nelson e Drean (esquerda para a direita) | Foto: Anibal Fortes

Atualizado em 19 de novembro de 2018, às 14h30

Arqueiros indígenas do Amazonas tiveram um desempenho inédito na história do Estado durante o 44º Campeonato Brasileiro de Tiro com Arco adulto, realizado na última semana na cidade de Maricá, no Rio Janeiro. Os atletas conquistaram três medalhas de ouro, em categorias individuais e de equipe, em torneio que reuniu 155 atletas de vários estados do Brasil.

As conquistas vieram em categorias que jamais foram alcançadas pelo estado. No sábado (17), Nelson Moraes (Inha, em kambeba), Drean Braga (Iagoara, em kambeba) e Gustavo Paulino (Ywytu, em karapãna) se sagraram campeões na categoria de equipes adultas masculinas, após vencerem a equipe carioca Arqueiros da Íris, da casa.

No domingo (18), Drean Braga (Iagora) conquistou a medalha ouro na categoria recurvo individual adulto masculino, conquista inédita para o estado. Também no domingo, os irmãos Graziela (Iacy) e Gusatvo Paulino (Ywytu) conquistaram a medalha de ouro na categoria equipe mista.

Graziela, Nelson, Drean e Gustavo são revelações do Projeto Arquearia Indígena do Amazonas, desenvolvido pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS) com o objetivo promover o esporte e valorizar a cultura local. Selecionados em 2013, os atletas treinam diariamente em arcos profissionais por meio de parceria com a Federação Amazonense de Tiro com Arco (Fatarco), além de receberem apoio para participação em competições locais, nacionais e internacionais. A projeto é apoiado pela Bemol e Bradesco, via Lei de Incentivo ao Esporte, e as passagens, doadas pela Latam Brasil.

“A meta sempre tem sido evoluir mais, sempre treinando e evoluindo em equipe. Sabemos que tem muito chão pela frente, mas os torneios tem dado chance de a gente crescer em concentração e acertar mais”, explica Nelson Moraes.

É a quinta vez que os arqueiros indígenas do Amazonas disputam o Brasileiro de Tiro com Arco Adulto. Na lista de competições estreladas por eles estão os Jogos Sul-Americanos Cochabamba de 2018 e o Campeonato Mundial de Tiro com Arco de 2017, além de vivências junto à Seleção Brasileira de Tiro com Arco. Eles também treinam para Tóquio 2020.

“Este excelente resultado só foi possível graças ao esforço diário de treinamento desses atletas amazonenses, como também pela colaboração de parceiros que tornaram possível o sonho de participarmos das competições nacionais”, comemorou o técnico da equipe, Aníbal Forte.

Desde o início do projeto, os atletas já conquistaram seis medalhas no Campeonato Brasileiro, sendo uma de ouro em equipe mista em 2015, uma de prata e uma de bronze por equipe mista e equipe masculina em 2016, e uma de ouro e duas de bronze por equipe feminina, individual feminino, além de equipe mista em 2017.

Adaptação

Apoiados pela FAS e Rede La Salle com bolsas de estudo, os quatro atletas se revezam entre a vida nas suas comunidades indígenas do interior do Estado e a estadia e treinamento na Vila Olímpica de Manaus, onde contam com estrutura e profissionais especializados por meio de uma parceria com a Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel) e a Federação Amazonense de Tiro com Arco (Fatarco).

No Centro de Treinamento e Alto Rendimento da Amazônia (CTARA), que fica situado dentro da Vila Olímpica de Manaus, os arqueiros, assim como os demais atletas de alto rendimento, têm à disposição suporte de hotel, restaurante, consultórios médico e odontológico, academia, fisioterapia, massoterapia, nutrição, assistência social e psicologia.

Arquearia indígena

Criado pela FAS em 2013, o projeto Arquearia Indígena tem por objetivo popularizar a arquearia e fortalecer a imagem e a autoestima das populações indígenas da Amazônia. A ação é uma iniciativa feita em parceria com o Banco Bradesco, a Federação Fatarco e apoio da Confederação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Coipam), da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e Governo do Amazonas por meio da Sejel.

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