Novo governo estadual e instituições de pesquisa dialogam para desenvolver bioeconomia na Amazônia

17 de dezembro de 2018 - Seminário promovido pelo BID em Manaus reúne representantes de instituições de ensino superior, fomento à pesquisa e novo governo do Amazonas para desenho de estratégias conjuntas de desenvolvimento

 
Foto: Dirce Quintino

Destravar a bioeconomia e desenvolver a Amazônia por meio dos seus ativos de biodiversidade é pauta de encontro entre várias instituições do segmento acadêmico, ambiental e governamental, que acontece entre hoje (17) e amanhã (18) na sede da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Rua Álvaro Braga, 351, Parque 10 de Novembro.

O “Seminário Internacional Bioeconomia e Inovação Verde na América Latina e Caribe”, uma realização do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em parceria com a FAS, Fundo de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e Governo do Amazonas reuniu reitores, diretores-presidentes e futuros titulares de pastas estratégicas do estado para debater o futuro da bioeconomia e biotecnologia na região de forma integrada.

A cerimônia de abertura contou com a presença do vice-governador eleito do Amazonas, defensor público Carlos Almeida; o superintendente-geral da FAS, Virgilio Viana; o representante do BID no Brasil, Hugo Flórez; e os futuros secretários de educação do Amazonas, deputado estadual Luiz Castro (Rede), de produção rural, Petrucio Magalhães, e de meio ambiente, Eduardo Taveira. Além deles também estiveram presentes o reitor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Cleinaldo Costa, o diretor da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Edson Barcelos, e o reitor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Sylvio Puga.

O encontro acontece em um momento estratégico para o estado, que inclui as incertezas sobre o modelo de desenvolvimento da Zona Franca de Manaus (ZFM), a nova agenda estadual em construção pelo novo governo e o anúncio da nova gestão do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA). Para o superintendente-geral da FAS, Virgilio Viana, o momento é oportuno para a construção de uma agenda colaborativa em prol do desenvolvimento sustentável da região.

“Nosso objetivo é construir uma agenda de colaboração entre instituições do Amazonas e de organizações como o BID, visando estimular o desenvolvimento da bioeconomia como uma alternativa econômica necessária para a Zona Franca de Manaus. A Amazônia tem possibilidades econômicas importantes a partir da biodiversidade, e nosso objetivo é desenvolver valorizando a floresta em pé e os povos da floresta”, declara.

O representante do BID no Brasil, Hugo Flórez, destacou a importância da formação de alianças regionais para o desenvolvimento do estado. O banco tem interesse em apoiar tais ações, desde que estejam alinhadas com a conservação da floresta amazônica e valorização das populações tradicionais, eixos estratégicos em discussão para o futuro de suas ações.

“O BID vê como muito promissor o alinhamento de instituições tão importantes para o Amazonas. A bioeconomia sem dúvida é um assunto próspero para o desenvolvimento regional local e nosso interesse é somar nesse processo, apoiando, fomentando e incentivando o diálogo entre organismos parceiros promotores de iniciativas tão importantes”, enfatizou.

Segundo Flórez, o banco tem intenção de contribuir para a construção de um plano estratégico integrado de desenvolvimento com todos os eixos importantes para o estado, que engloba desde temas como educação, infraestrutura, economia e saúde fiscal, além do estímulo à promoção de investimentos privados. “As ações precisam de uma participação ativa do setor privado, sempre dialogando com institutos de pesquisa, universidades, governo”, defende Hugo.

Para Edson Barcelos, da Fapeam, o diálogo entre instituições é fundamental para colocar o CBA em prática, junto com o apoio de outros financiadores. “A aliança surgiu dessa necessidade de fazermos a bioeconomia avançar no estado, e por isso que o apoio do BID será fundamental para colocar a agenda em marcha”, destaca.

 

UEA, UFAM e IFAM próximos à bioeconomia

 

Entre as instituições estaduais e federais de ensino superior que participaram da discussão no evento estão organismos acadêmicos e instituições locais que também integram a Aliança de Bioeconomia da Amazônia (Abio), futura gestora do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA).

Para o reitor da UEA, a agenda de bioeconomia e a articulação com o BID são oportunidades de fortalecimento das organizações locais, promovendo a formação de conhecimento e competências por meio da valorização da biodiversidade.

“Começamos a construir as discussões interinstitucionais com a UFAM e outras instituições porque acreditamos que a agenda de desenvolvimento precisa ter a participação das instituições cruciais para o desenvolvimento sustentável na Amazônia. Só agregando nossa formação científica com aplicações práticas e que revertam em conservação da floresta, é que criaremos um modelo de desenvolvimento forte”, destaca o reitor.

A UFAM entende que a bioeconomia deve ocupar um papel muito importante na economia do estado no futuro. O reitor Sylvio Puga destacou a atuação da universidade junto à nova gestão do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), como chave do desenvolvimento econômico e científico da região.

“Nós esperamos usar todos os nossos laboratórios e inteligências, por meio dos nossos doutores e mestres, para desenvolvermos produtos que sejam demandados pela sociedade e mercado, criando um elo positivo entre saber científico e desenvolvimento regional”, destaca Puga.

Novo governo aliado à sustentabilidade econômica e ambiental

Para o futuro vice-governador, defensor Carlos Almeida, a sustentabilidade ambiental e econômica do interior do Amazonas serão eixos fundamentais do novo governo, com foco especial para integração logística que dê apoio ao desenvolvimento de atividades produtivas sustentáveis. Para isso, segundo ele, o governo fará questão de, junto à instituições como o BID, montar estratégias voltadas ao desenvolvimento regional de longo prazo que contribuam para manter a floresta em pé.

“Nossa gestão não vai ser paternalista. O molde principal de desenvolvimento do Amazonas vai ser o estado fomentador. Nós queremos junto a parceiros como as instituições de bioeconomia, as universidades, o BID, construir uma estratégia voltada ao desenvolvimento ribeirinho de fato, promovendo soluções para o zoneamento, escoamento e dando oportunidades para que a bioeconomia faça parte do desenvolvimento dos municípios do interior do estado”, sinalizou Carlos.

Em fala voltada aos novos secretários, Carlos Almeida enfatizou que os novos titulares saiam do evento com o desafio de construir uma agenda de desenvolvimento integradora voltada à bioeconomia. “As secretarias de meio ambiente e produção rural terão esse desafio de montar uma estratégia positiva e integrada de bioeconomia, onde a sustentabilidade esteja no centro, junto à prosperidade das famílias ribeirinhas do interior”, destacou.

Para o futuro secretário de educação, deputado estadual Luiz Castro, a aproximação do novo governo com a agenda de bioeconomia é importante para o novo momento que o estado viverá nos próximos anos. A ideia é construir uma agenda participativa e aberta a várias instituições.

“Queremos aproveitar esse momento para construir uma agenda participativa entre governo, instituições de ensino, pesquisa e empresas. O governo vai participar e contribuir para o fortalecimento da bioeconomia, com participação forte dos ativos da Amazônia no desenvolvimento do Amazonas, como uma estratégia de fortalecimento da matriz econômica sustentável”, destaca.

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