Jovens atletas ribeirinhos da Resex Catuá-Ipixuna vencem a 6ª Olimpíadas da Floresta

29 de abril de 2019 - Os participantes ficaram em 1º lugar no quadro geral com 21 medalhas. Ao todo, mais de 400 atletas de três municípios e seis delegações competiram em diversas modalidades durante dois dias de evento

 
Foto: Dirce Quintino

Incentivo à prática esportiva, fortalecimento de relações sociais e empoderamento da juventude ribeirinha que vive em Unidades de Conservação (UC) do Amazonas foram resultados da 6ª Olimpíadas da Floresta, competição que reuniu neste final de semana, no município de Tefé, a 523 quilômetros de Manaus, mais de 400 jovens atletas de três municípios e seis delegações em diversas modalidades esportivas. Os vencedores foram os ribeirinhos da Reserva Extrativista (Resex) Catuá-Ipixuna, que ficaram em 1º lugar com 21 medalhas. Em 2º e 3º ficaram os atletas de Uarini, com 19 medalhas, e Maraã, também com 19, mas com menos medalhas de prata.

Coordenada pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS), por meio do Programa de Desenvolvimento Integral da Criança e do Adolescente Ribeirinho da Amazônia (Dicara), as Olimpíadas da Floresta foram realizadas pela primeira vez em meio urbano, dentro da cidade de Tefé, reunindo num só lugar 253 rapazes e 176 moças com idades de 12 a 17 anos oriundos de seis delegações/localidades tanto de área urbana quanto de zona rural. As delegações foram Resex Catuá-Ipixuna; Maraã; RDS Anamã; Caimbé Jutica; Uarini e RDS Mamirauá. O evento contou com apoio de 11 instituições, incluindo o Exército Brasileiro e da Prefeitura Municipal de Tefé.

“A atividade do esporte aliada à educação para cidadania transforma vidas. Temos depoimentos lindos de jovens que conseguiram se expressar melhor, construir sonhos e, agora, começam a planejar em como transformar esses sonhos em realidade”, ressaltou o superintendente-geral a FAS, Virgílio Viana. “É uma atividade que a FAS procura fazer: cuidar das crianças que serão o futuro da Amazônia, e é a Amazônia que dará ao mundo uma esperança para resistir à, talvez, maior ameaça à vida, que são as mudanças climáticas. É por isso que as Olimpíadas da Floresta têm esse simbolismo que vai além do esporte em si, tem uma perspectiva planetária”.

Além de impulsionar o esporte na vida dos jovens ribeirinhos, as Olimpíadas da Floresta proporcionaram também um momento único de interação na vida dos atletas. “Foi muito envolvente, no sentido de trazer jovens de várias comunidades, mais de 30 comunidades, num só lugar, e o mais interessante é que a maioria deles nunca tinha se encontrado, nunca havia se conhecido”, explicou o coordenador do Dicara, Ademar Cruz. “Às vezes, por mais que fossem da mesma delegação, eles nunca tinham viajado juntos e, além disso, puderam conhecer mais sobre as práticas olímpicas. Então foi uma oportunidade para essa nova abertura de relações sociais, de amizades entre eles”.

Futebol, natação e atletismo

Os jovens atletas competiram em modalidades como vôlei, futebol, futsal, natação, atletismo, arco e flecha, tênis de mesa, corrida de saco, cabo de guerra, entre outros. Os campões, da Resex Catuá-Ipixuna, levaram medalhas de ouro, prata e bronze. “Eu participei de futebol, cabo de guerra e corrida de 100 metros. Foi uma honra ter ganhado a medalha de ouro no cabo de guerra, nós (equipe) pensamos que não íamos conseguir, mas de última hora puxamos o cabo e ganhamos, foi muito bom”, comemorou Luciana Porto Sena, de 14 anos, moradora da comunidade Bela Conquista, na Reserva Extrativista (Resex) Catuá-Ipixuna, em Tefé.

Débora Melo de Carvalho, de 12 anos, também jovem atleta ribeirinha da Resex Catuá-Ipixuna, da comunidade Santa Luzia do Boia, viu nas Olimpíadas da Floresta uma possibilidade tanto de praticar o esporte, como de se divertir com os colegas da comunidade e aumentar o círculo de amigos. “Pela primeira vez na vida estou participando dessas olimpíadas e estou achando muito legal. Ganhei medalha de prata na corrida de saco e achei muito bom. Estou achando ótima a oportunidade de conhecer outros times, pessoas de fora da nossa reserva”, reforçou.

6ª Olimpíadas da Floresta

A 6ª Olimpíadas da Floresta é uma realização do Programa de Desenvolvimento Integral de Crianças e Adolescentes Ribeirinhas na Amazônia (Dicara), dentro do Programa de Educação e Saúde (PES) da Fundação Amazonas Sustentável (FAS). Criado em 2014, o Dicara desenvolve ações voltadas à garantia dos direitos de crianças e adolescentes de Unidades de Conservação (UC) no Amazonas, em cooperação com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), com foco no enfrentamento à evasão escolar, exclusão digital e cultural, violência doméstica, exploração sexual, trabalho infantil e promoção da cidadania e esporte.

A previsão é realizar ainda neste semestre mais uma edição das Olimpíadas da Floresta, desta vez em zona rural e reunindo jovens atletas ribeirinhos de reservas e localidades nos municípios de Itapiranga, São Sebastião do Uatumã e Presidente Figueiredo. “O balanço dessa olimpíadas foi positivo, uma grande quantidade de pessoas, de várias comunidades. Os jovens trocaram ideias e entenderam que todos estão no mesmo caminho, na luta e em defesa da juventude, lutando para garantir um espaço na sociedade”, reforçou o coordenador do Dicara, Ademar Cruz.

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