Estação de água que funciona com energia solar é inaugurada em comunidade na RDS Rio Negro

6 de maio de 2019 - Sistema de captação, tratamento e distribuição de água desenvolvido dentro do projeto Água+ Acesso, em parceria entre a FAS, Instituto Coca-Cola, Fundação Avina e WTT, leva água limpa a casa de moradores da comunidade N. S. do Perpétuo Socorro

 
Comunidade é uma das beneficiadas pelo Água + Acesso | Foto: Robert Coelho

Moradores da comunidade ribeirinha Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, localizada dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro, que abrange os municípios de Iranduba, Manacapuru e Novo Airão, agora têm o que comemorar. Eles passaram a ter fornecimento de água tratada em casa depois que foi inaugurada, dentro do projeto Água+ Acesso, uma parceria da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), do Instituto Coca-Cola, da Fundação Avina e do WTT Tecnologia e Consultoria, um sistema de captação, distribuição e tratamento de água que funciona com energia solar.

A novidade, que beneficia 36 famílias na comunidade, situada na região do Acajatuba, é a segunda estação de água inaugurada dentro projeto Água+ Acesso – a primeira foi a comunidade Santa Rita, da RDS Piagaçu Purus, entre que abrange os municípios de Anori, Beruri, Coari e Tapauá; outras comunidades estão na programação de ações. O Água+ Acesso tem o objetivo de levar água potável para famílias ribeirinhas e indígenas sem acesso ao serviço e que ficam situadas dentro de Unidades de Conservação (UC) do Amazonas apoiadas pela FAS.

“Inauguramos agora essa estação de água que faz o bombeamento, o tratamento e distribui água nas casas das famílias. Ao todo são 36 famílias beneficiadas dentro da comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. A outra parte da comunidade já estava recebendo água limpa”, explicou a superintendente de Desenvolvimento Sustentável da FAS, Val Solidade, que coordenou o Programa do Bolsa Floresta (PBF), responsável pela execução do projeto Água+ Acesso.

A nova estação de água da comunidade N. S. do Perpétuo Socorro funciona com energia solar e também com apoio de um gerador de energia a diesel, isto é, um sistema híbrido. “A estação funciona assim: é furado um poço artesiano na comunidade e a bomba que puxa essa água, leva até o sistema de tratamento e depois distribui até as casas funciona com energia solar, painéis solares instalados na comunidade, e também com ajuda de um gerador de energia. Além disso, cada casa possui uma caixa d’água de mil litros para armazenar a água”, explicou Val Solidade.

A água subterrânea bombeada do poço artesiano perfurado na comunidade ainda passa por sistema de tratamento que utiliza uma tecnologia desenvolvida pela WTT Consultoria e Tecnologia, com luz ultravioleta UBV que combate microrganismos e substâncias químicas na água e que retira o odor e o gosto de sujeira. Além disso, a estação de água é de auto-gestão, ou seja, os próprios moradores da comunidade N. S. do Perpétuo Socorro vão fazer a manutenção do sistema.

Água poluída e doenças

Antes da implantação do projeto Água+ Acesso, os moradores da comunidade N. S. do Perpétuo Socorro consumiam recursos hídricos de água coletada da chuva, de rios e igarapés ou de poços perfurados improvisadamente, as chamadas cacimbas, o que é comum na maioria das comunidades ribeirinhas na Amazônia. Pelo fato de usarem água sem tratamento para beber, cozinhar e fazer necessidades básicas, a ocorrência de doenças de veiculação hídrica como disenterias, cólera, amebíase, hepatite A e infecções era frequente entre os comunitários.

Segundo a coordenadora do Programa Bolsa Floresta (PBF) na região do Purus, Jousanete Dias, responsável pelo Água+ Acesso nas comunidades da RDS Piagaçu-Purus, a implantação das estações de água diminuiu em quase 95% as doenças nos moradores. “O projeto melhora a qualidade de vida dos ribeirinhos. Onde já foi implantado, na RDS do Piagaçu, diminuiu em quase que 100% os problemas de saúde como verminoses, vômito, diarreia. A gente tem observado e isso é comprovado pelos próprios comunitários”, afirmou.

Próximas ações

As próximas estações de água do projeto Água+ Acesso a serem implantadas devem beneficiar ribeirinhos na comunidade do Futuro, na Reserva Extrativista (Resex) Catuá-Ipixuna, que fica entre Coari e Tefé; na comunidade Vila Cujubim, na RDS do Cujibim, em Jutaí; e nas comunidades do Sussara, Beabá de Cima, Santo Antônio do Lago do Jari, São João do Uauaçu e Vila Araújo, todas localizadas dentro da RDS do Piagaçu Purus, que abrange os municípios de Anori, Beruri, Coari e Tapauá.

As comunidades N. S. Aparecida, N. S. de Nazaré e Santa Sofia, que ficam na Reserva Extrativista Catuá-Ipixuna, serão beneficiadas com um sistema de água específico, o purificador Água Box, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (Inpa) e que desinfeta os recursos hídricos através da radiação ultravioleta tipo C.

Programa Água+ Acesso

O Programa Água+ Acesso funciona dentro do Programa Bolsa Floresta, da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), com aporte financeiro oriundo da multinacional de bebidas Coca-Cola e do Instituto Avina, uma fundação latino-americana de investimento em ações de desenvolvimento sustentável. A WTT contribui com a tecnologia usada nas estações de tratamento de água.

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