FAS, UEA e centros de pesquisa do Brasil e da Alemanha discutem bioeconomia na Amazônia

22 de maio de 2019 - Seminário voltado para debater pesquisas e estudos de bioeconomia também serviu como aquecimento para o Green Rio 2019. A Aliança para a Bioeconomia na Amazônia (Abio) também foi uma das participantes

 
João Matos (Abio) ao centro e Virgílio Viana (FAS) à direita | Foto: Joelma Sanmelo

A Fundação Amazonas Sustentável (FAS), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e um conjunto de centros de pesquisa do Brasil e da Alemanha discutiram, em Manaus, durante dois dias, o desenvolvimento da bioeconomia na Amazônia e na Alemanha. O debate aconteceu durante o Seminário Brasil-Alemanha de Bioeconomia, ocorrido segunda (20) e terça-feira (21) no Auditório UNA-SUS Amazônia, na Escola Superior de Ciências da Saúde da UEA (ESA/UEA).

O evento debateu as pesquisas científicas em bioeconomia desenvolvidas nos dois países a partir dos estudos em biodiversidade e também serviu de aquecimento para o Green Rio 2019, uma das maiores feiras sobre economia verde e soluções inovadoras do Brasil que acontece os dias 23 a 25 de maio na cidade do Rio de Janeiro.

“Este fórum aproxima pesquisadores, centros de pesquisa alemães e nós, amazonenses, em um diálogo que chamamos de Amazônia 4.0. É estratégico para perspectiva de tornar a bioeconomia uma importante matriz econômica para o nosso Amazonas”, afirmou o reitor da UEA, Cleinaldo Costa, durante a abertura do seminário.

A partir da temática “Plantas Medicinais: Conectando Florestas, Ciências e Negócios”, os convidados discorreram sobre a realidade dos estudos na região amazônica. “A bioeconomia é um cenário potente no Amazonas. O desenvolvimento de pesquisas em parceria com instituições de ensino, empresas, indústrias e com as populações tradicionais e indígenas, detentoras de rico conhecimento etnobiológico, é importantíssimo. É um setor rico e que pode gerar renda, empregos e impulsionar a economia”, disse o superintentende-getral da FAS, Virgílio Viana.

Para o empreendedor de Parintins, José Garrido, o seminário foi uma oportunidade de levar o conhecimento desenvolvido nas pesquisas científicas para pessoas da comunidade dele. “Eu trabalho com diversos tipos de plantas medicinais que o mercado não oferece já faz 35 anos. Há indústrias que trituram as plantas para mim, onde no meu pequeno laboratório (eu) as embalo adequadamente”, afirmou.

Apoio a bioeconomia

A visão de movimentar os setores primários, a partir da geração de renda foi um tópico pontuado pelo secretário do Ministério da Agricultura, Fernando Schwanke, presente no evento. “A ideia de estarmos aqui participando desse momento é justamente essa: mandar um recado claro para o governo federal, para que ele tenha o interesse de apoiar as iniciativas da bioeconomia no Brasil, porque isso é importante para o País todo. Queremos, sim, usar a bioeconomia de forma sustentável, mas que beneficiem os agricultores, os ribeirinhos e os extrativistas, e que gere renda a eles”, enfatizou.

Sobre o processo de industrialização dos recursos produzidos a partir dos bens naturais encontrados na floresta, o coordenador da Aliança para a Bioeconomia na Amazônia (Abio), João Matos, destacou a importância das pesquisas para o desenvolvimento da área. “Há 20 anos quem imaginaria que poderíamos comprar farinha do Uarini no supermercado com regras de produção e segurança alimentar? Isso também pode entrar na Zona Franca, dentro das empresas do Polo Industrial de Manaus, porque as fibras das nossas espécies vegetais podem formar painéis de automóveis ou aparelhos celulares, e as nossas universidades já têm essas informações”, complementou.

Participantes

Além da FAS, da UEA e da Abio, o evento também contou com a participação do Ministério de Agricultura da Alemanha, do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA), entre outros.

“Fico feliz em verificar que a UEA, em sintonia com o raciocínio do nosso governador Wilson Lima, tem buscado mecanismos para diversificação de nossa economia. A universidade, junto com os meios de produção, acaba gerando os mecanismos necessários para que possamos alavancar o resultado social esperado de geração de emprego e renda para o interior”, declarou o vice-governador do Amazonas, Carlos Almeida Filho, presente na abertura do seminário.

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