FAS vence prêmio da Unesco por ações de desenvolvimento sustentável na Amazônia

15 de outubro de 2019 - Única organização brasileira e única da América do Sul em toda a história a levar o prêmio, a FAS atua há mais de 11 anos na conservação ambiental e valorização das pessoas que vivem nas florestas

 
Foto: Caio Palazzo

As ações de educação promovidas pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS) para desenvolver comunidades tradicionais da Amazônia renderam à organização um reconhecimento único. Com mais de 11 anos de atuação pela conservação ambiental e valorização das pessoas que vivem nas florestas, a FAS foi anunciada vencedora do Prêmio Unesco sobre Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) 2019, concedido a soluções inovadoras de todo o mundo capazes de transformar a realidade do meio ambiente, da economia e da sociedade através do desenvolvimento sustentável.

Outros dois projetos globais também foram premiados, um em Botsuana, sobre educação para a vida e o trabalho, e outro na Alemanha, com ações para combater as mudanças climáticas. Em toda a história, a FAS é a única organização brasileira e de toda a América do Sul a ser premiada. Os vencedores foram escolhidos por um júri internacional independente formado por membros com grande reputação no campo da EDS, entre eles Oscar Motomura (Brasil), Stephen Sterling (Reino Unido), May Makhzoumi (Líbano), Yoshiyuki Nagata (Japão) e Akpezi Ogbuigwe (Nigéria).

O anúncio dos vencedores foi feito pela diretora-geral da Unesco, Audrey Azoulay. Cada um dos premiados receberá um valor de US$ 50 mil financiados pelo Governo do Japão. A entrega vai acontecer no próximo 15 de novembro na sede da Unesco em Paris, na França, durante a Conferência Geral da Unesco.

Desenvolvimento sustentável

Entre as ações da FAS de Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) na Amazônia que levaram à conquista do prêmio estão soluções inovadoras aplicadas em 581 comunidades ribeirinhas e indígenas, que ficam situadas em 16 Unidades de Conservação (UC), numa área equivalente a 10,9 milhões de hectares, onde mais de 39 mil pessoas e 9.598 famílias são beneficiadas. Dentre essas ações estão projetos e programas voltados para geração de renda, gestão de recursos naturais, empoderamento comunitário, capacitação de lideranças, conhecimento tradicional, apoio a educação formal, primeira infância, monitoramento da floresta, infraestrutura, pesquisa e desenvolvimento.

Tais iniciativas são ensinadas e repassadas às populações tradicionais dentro de espaços físicos construídos pela própria FAS nas comunidades ribeirinhas e indígenas, os chamados Núcleos de Conservação e Sustentabilidade (NCS). Ao todo, são nove NCS em todo o Amazonas que servem como plataforma de implementação do EDS e de espaços para promoção de educação e de políticas públicas para alavancar soluções adaptadas ao desenvolvimento sustentável.

Só neste ano, de janeiro a setembro de 2019, mais de 750 alunos estavam matriculados participando de atividades de educação nos NCS, de Ensino Fundamental até Médio, Educação para Jovens e Adultos (EJA) e Superior, além de cursos livres. De 2016 a 2019, foram mais 340 cursos e formações desenvolvidas.

Redução do desmatamento

A estratégia de levar ações de educação para desenvolver comunidades na Amazônia fez da FAS a instituição brasileira com os maiores resultados de conservação ambiental na região amazônica. Nos últimos anos, os programas e projetos da fundação alcançaram índices extremamente positivos na redução do desmatamento, dos focos de calor e da pobreza na Amazônia.

Em dez anos, entre 2008 e 2018, as taxas de desmatamento diminuíram 76% nas áreas de atuação da FAS, conforme dados do Inpe/Prodes, e o número de focos de calor nessas áreas protegidas também caiu 33% entre janeiro e agosto deste ano, comparado ao mesmo período do ano passado, conforme o Prodes. Já a renda média mensal por pessoa nas UCs aumentou 202%, segundo levantamento da Action e do Banco Mundial.

Investimentos

Esses resultados reforçam a tendência de que a conservação ambiental está diretamente ligada à promoção da melhoria da qualidade de vida das populações que vivem nas florestas.

Com esse foco, a Fundação Amazonas Sustentável vem investindo nos últimos dez anos mais de US$ 85 milhões em educação relevante para geração de renda, empoderamento comunitário, gestão de cadeias produtivas e educação formal, oriundos de cooperação internacional como o Fundo Amazônia/BNDES e a agência alemã GIZ, além do financiamento de empresas privadas como o Bradesco, a Samsung e a Coca-Cola.

Além disso, a FAS tem aumentado a própria participação na discussão de políticas públicas em nível global, com negociações climáticas, em nível nacional, com políticas florestais, e subnacional com serviços ambientais, e também colaborando com a produção científica solicitando de mais de 130 pesquisadores a avaliação e a análise dos próprios projetos, programas e resultados internos.

O superintendente-geral da fundação, Virgílio Viana, reforça a estratégia de conservar o meio ambiente por meio do investimento em educação para o desenvolvimento sustentável. “Temos apoiado desde o início ações inovadoras de educação capazes de fazer com que as pessoas façam uma ponte entre o saber tradicional das suas culturas com o saber e o conhecimento científico contemporâneo. Nossa ideia é fazer das pessoas empreendedoras da floresta, líderes de processos inovadores capazes de dar valor à biodiversidade da Amazônia, gerando emprego e renda e fazendo com que a floresta tenha mais valor em pé do que derrubada”, concluiu.

Sobre o prêmio

Financiado pelo Governo do Japão, o Prêmio Unesco-Japão de Educação para o Desenvolvimento Sustentável está na quinta edição. Nos anos anteriores venceram iniciativas da Guatemala, El Salvador, Alemanha, Indonésia, Camarões, Japão, Reino Unido, Jordânia, Zimbábue, Namíbia e Estônia.

O prêmio foi estabelecido pelo Conselho Executivo da Unesco no âmbito do Programa de Ação Global sobre ESD, para divulgar e recompensar iniciativas de ESD transformadoras. Os vencedores são escolhidos por um júri internacional independente com base em critérios como soluções inovadoras capazes de mudar a realidade das pessoas por meio do desenvolvimento sustentável do meio ambiente, da economia e da sociedade.

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