Curiosidade e internet: ingredientes para transformar vidas em comunidades isoladas do Amazonas : FAS Amazonas
14/09/2020
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Curiosidade e internet: ingredientes para transformar vidas em comunidades isoladas do Amazonas

Iniciado em 2018, projeto de conectividade da FAS e Americanas já beneficia, diretamente, 1.429 pessoas em oito dos nove núcleos da fundação espalhados pelo Amazonas. Na imagem, João Victor Vieira Velozo é um dos beneficiários do projeto (Foto: Bruno Kelly).


Cercada por belezas naturais, Tumbira é uma comunidade situada na zona rural do município de Iranduba, dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro, a 64 quilômetros de Manaus. Nessa comunidade remota, de difícil acesso, vivem aproximadamente 200 moradores que ainda lidam com dificuldades de acesso a políticas públicas e infraestrutura básica. Quando o assunto é internet, conseguir conexão de qualidade é um desafio, mas o projeto de conectividade digital da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), em parceria com a Americanas, vem mudando a realidade dos comunitários do Tumbira. Ao todo, o projeto já beneficia, diretamente, 1.429 pessoas em oito dos nove núcleos da fundação espalhados pelo Amazonas. 

Um dos beneficiados é o João Victor, de 21 anos. Natural de Manaus e estudante de Pedagogia, o jovem é um dos usuários do Núcleo de Conservação e Sustentabilidade (NCS) da FAS, na RDS Rio Negro, uma estrutura integrada à floresta com biblioteca, salas de aula e laboratório de informática. É no Núcleo que João Victor assiste às aulas, estuda, faz cursos, se informa e se “conecta” ao mundo além do Tumbira.

“Quando a internet chegou para cá, não era uma internet boa, mas a gente ia tentando. Com a chegada da internet do laboratório [NCS], ficou até mais viável para mim, por causa das videoaulas e das provas que não podem ter falhas de internet. A minha lá de casa é muito lenta e muito cara também”, conta o universitário.

Mesmo vivendo em um local distante, João não abriu mão do sonho de cursar o ensino superior. Para não deixar a família e mudar de volta para a cidade, optou pelo Ensino a Distância (EAD). “A gente queria fazer por ensino a distância e no momento não era possível, pois o único lugar que tinha internet era lento e não era liberado para todos”, relembra.

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Com a previsão da chegada do projeto Conectividade Digital no Tumbira, João viu a oportunidade de iniciar os estudos. “Como estava previsto chegar a internet do laboratório para cá, eu já me inscrevi na instituição para fazer a faculdade de pedagogia EAD. Assim que eu comecei, praticamente no mesmo instante que eu comecei a estudar pedagogia, vendo que essa internet era boa, comecei a estudar no NCS e não só eu como outros alunos da instituição vem fazer as suas videoaulas e provas aqui”, revela. 

A escolha pelo curso de pedagogia também vem da vontade de fazer a diferença na formação das crianças da comunidade onde vive, conta João. “Para começar a minha carreira, escolhi o curso de pedagogia, pois os professores estão em falta nas comunidades e, morando aqui, posso trabalhar no colégio que já está instalado”, compartilha o universitário. 

Mas João não se limita a focar apenas na graduação. Ele aproveita a internet disponibilizada no NCS para se qualificar em outras áreas que ele gosta, como a informática, por exemplo. “Para mim, um rapaz bastante curioso que gosta de aprender um pouco de tudo, é muito bom. Na internet, como você sabe, há uma possibilidade de cursos gratuitos e cursos pagos, principalmente em informática, que é uma área que eu gosto e acabo fazendo vários cursos pela internet e conseguindo certificados”, afirma.

Checando e-mails, acessando redes sociais, se informando e buscando novos conhecimentos, o jovem também utiliza outros recursos do NCS como a biblioteca para fortalecer seus estudos. ”Eu passo mais tempo na biblioteca do que em casa. Ficou mais fácil, apesar de ter o Google que tem uma vasta variedade de recursos, tem os livros que estão mais pertos, caso a internet pare. Eu tento fazer esse estudo híbrido com a internet e livros que é para ter um conhecimento maior”, diz.

Internet que salva vidas

João considera o acesso à rede fornecida pelo NCS fundamental, não só para o estudo de muitos comunitários, mas principalmente para a comunicação do Tumbira com os centros urbanos. “É importante, não só para mim, mas como para os outros alunos na questão de estudo, de fazer provas e avaliações e ter comunicação aqui. A internet do laboratório é o único meio de comunicação mais rápido, caso aconteça algum acidente, as pessoas possam vir aqui, ligar para Manaus e avisar o pessoal da saúde”, exemplifica o estudante.

Com o avanço da pandemia do novo coronavírus, o meio de comunicação vem se provando vital para garantir a segurança e o bem-estar dos comunitários. “No meio desta pandemia que está acontecendo no Brasil e no mundo, as pessoas já não estão indo em Manaus, logo essa comunicação por internet está sendo tudo. A velocidade é algo que sempre ajuda bastante e, como aqui não tem sinal de telefone, a internet é o único meio que a gente tem de pedir para alguém fazer compras em Manaus, transferir dinheiro e mercadorias de banco”, diz João.

Ainda não há casos confirmados ou suspeitos de coronavírus no Tumbira, mas em outras localidades da RDS sim. Por essa razão, os comunitários evitam sair do local e tentam fazer tudo pela internet, revela o jovem. 

Construindo um futuro sustentável

Não há dúvida para João: ele ama o Tumbira e pretende continuar na comunidade por muitos anos. Afinal, é o lugar onde está toda a sua família. “Aqui é um lugar bom de se viver, o ambiente é bem tranquilo… Não tem muito barulho como na cidade, barulho de carros, aquela correria toda. Aqui é em um ritmo mais lento, a pessoa se sente bem consigo mesma. Fora as paisagens que são lindas e são um dos motivos de eu querer ficar aqui”, afirma.

Além do sonho de atuar como professor ensinando nas escolas da comunidade, João reconhece que é necessário pensar em um futuro sustentável para o Tumbira, que vá além do extrativismo e preserve as riquezas naturais do local. Para ele, projetos como o da FAS e da Americanas são essenciais para garantir esse futuro de qualidade para todos os comunitários.

“É um trabalho bem importante, não só para as comunidades, mas para as reservas. Pois, eles buscam um meio sustentável de ver as pessoas sobreviverem em meio às mudanças. Hoje em dia, já não se pode tirar tanta madeira e estão criando meios para que as pessoas possam se sustentar e um deles foi o turismo”, opina João, que trabalhava como guia turístico antes da pandemia.

Agora, João espera a retomada da vida normal após a pandemia e continua a estudar e sonhar com mais transformações positivas para a comunidade que tanto ama.

Sobre o projeto

A FAS possui nove núcleos espalhados pelo Amazonas. Atualmente, há oito deles com acesso à internet. Iniciado em 2018, o projeto de conectividade da FAS e Americanas já beneficia, diretamente, 1.429 pessoas em oito dos nove núcleos da fundação espalhados pelo Amazonas. 

Sobre os NCSs

Os NCSs são espaços formados por salas de aula, refeitório, biblioteca, alojamentos para alunos e professores, além de laboratório de informática. Essas estruturas integradas à floresta funcionam em parceria com as Lojas Americanas, Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), Universidade Estadual do Amazonas (UEA), prefeituras municipais e também tem apoio do Bradesco, Fundo Amazônia, Samsung e Petrobras.