Projeto fortalece atenção à saúde em aldeias indígenas do Baixo Amazonas : FAS Amazonas
04/09/2020
Notícias

Projeto fortalece atenção à saúde em aldeias indígenas do Baixo Amazonas

Povo indígena Sateré-Mawé, da TI Andirá-Marau, localizada no município de Barreirinha (AM), será beneficiado com serviços de telessaúde. Iniciativa prevê implementação de rede de internet, notebook, contratação de profissional de saúde especializado, além de apoio logístico.


Aldeias indígenas da região do Baixo Amazonas têm sofrido com certa carência no atendimento especializado em saúde, mesmo durante a pandemia do novo coronavírus. Como forma de minimizar a situação de vulnerabilidade social em que se encontram as famílias e fortalecer a capacidade de assistência médica em regiões geograficamente isoladas, a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) tem articulado, junto à organização Hivos – Instituto Humanista para Cooperação e Desenvolvimento, estratégias de apoio e atenção à saúde para 402 famílias da Terra Indígena (TI) Andirá-Marau, na aldeia Kuruatuba, localizada no município de Barreirinha (AM).

Para contribuir com o bem-estar dessa população indígena, que tem acesso limitado a serviços de saúde devido ao alto custo de deslocamento, a FAS auxiliará ações existentes no local, fortalecendo os serviços de telessaúde nas aldeias com o uso de novas tecnologias. Realizado no âmbito do programa “Todos os Olhos na Amazônia” e em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), o projeto “Fortalecimento da capacidade de assistência de saúde em aldeias indígenas na região do Baixo Amazonas” beneficiará 12 aldeias – um total 1646 indígenas pertencentes ao povo Sateré-Mawé.

Com duração de seis meses, a parceria prevê a implementação de uma rede de conexão de internet em um posto de saúde do DSEI, na aldeia indígena Kuruatuba, o que possibilitará o funcionamento de uma plataforma de telessaúde para consultas entre médicos da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) e pacientes indígenas. Adicionalmente, o projeto contará com uma profissional especialista em saúde indígena baseada na aldeia, que ficará encarregada de realizar o acompanhamento e capacitação dos demais, bem como apoio durante as consultas médicas na aldeia.

Ao longo da iniciativa, haverá também ações de monitoramento e avaliação sobre o andamento do projeto, além da elaboração de relatórios mensais. Tal articulação poderá servir de parâmetro para uma possível cooperação Sul-Sul entre Brasil e Equador, por meio de um intercâmbio de conhecimentos e boas práticas a serem replicados, tendo em vista que a Hivos está implementando no Equador o “Rota de Saúde Indígena”, iniciativa inovadora para prevenção e cuidados relacionados ao COVID-19.

De acordo com a supervisora da Agenda Indígena da FAS, Rosa dos Anjos, o projeto é uma forma de refletir a importância de serviços de telessaúde voltados especialmente para as terras indígenas. “Esse é o primeiro polo a ser instalado em Andirá-Marau e representa uma oportunidade de contar com um atendimento médico de qualidade a essas pessoas, ainda mais nesse momento de fragilidade por conta da Covid-19, que de forma brusca vem afetando diretamente os povos indígenas”, afirma. Rosa agradece ainda o apoio da Hivos, que, segundo ela, “se sensibilizou com a realidade do povo Sateré”, e reitera a disposição oferecida pelo coordenador do DSEI Parintins, José Augusto.

Sobre o projeto

A parceria faz parte do projeto “Aliança Covid-Amazonas dos povos indígenas e populações tradicionais e organizações parceiras para o enfrentamento do coronavírus”. Coordenada pela FAS com o apoio de 98 parceiros, a Aliança prioriza, durante esse período de pandemia, comunidades ribeirinhas e povos indígenas que vivem em locais distante e em regiões de difícil acesso às principais cidades. O objetivo da articulação é promover maior saúde e bem-estar às populações por meio de doações de alimentos e kits de higiene, além de nortear atividades e outros projetos relacionados ao tema.

Sobre o Todos os Olhos na Amazônia

Todos os Olhos na Amazônia é um programa que apoia os povos indígenas e comunidades locais em sua luta contra o desmatamento e a degradação do ecossistema. A iniciativa combina tecnologia de ponta, como satélites, aplicativos inovadores e drones, para detectar o desmatamento, a degradação ambiental e as violações dos direitos humanos, registrá-los e, eventualmente, impedir a continuação desses eventos. Mais informações: www.todososolhosnaamazonia.org